Retiro e Capítulo da TSSF
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Tema: A Fé Política no chão que pisamos:
Qual nosso testemunho?
Data: 30 de agosto a 1º de setembro de 2019
Abertura na sexta-feira a noite
e encerramento no domingo maio dia
Local: Paróquia da Ascensão e Setek
Av. Ludolfo Boehl, 300.
Teresópolis Porto Alegre/RS
Inscrição e hospedagem: R$ 300,00
Informações:
Ana Lúcia: (51) 999196224
prof.ingles.poa@gmail.com
Pilato: (51) 985463317
pilatopereira@gmail.com
Blog de interação entre irmãs e irmãos da Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco - TSSF. (Formação e Informação sobre carisma e espiritualidade franciscana e clariana)
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sexta-feira, 16 de agosto de 2019
domingo, 18 de junho de 2017
Centenário da Ordem Terceira da Sociedade de São Francisco (TSSF)
Entre os dias 20 a 25 de junho de 2017 acontecerá o encontro de comemoração dos 100 Anos da Ordem Terceira da Sociedade de São Francisco (TSSF), Província das Américas. Um grupo já está reunido para o Capítulo Provincial, em em Cincinatti, Estados Unidos. Nosso irmão Luiz Basílio está presente no capítulo e nossa irmã Reverenda Carmem Etel, do Rio Grande do Sul, estará presente nas comemorações do centenário da Ordem.
Na foto o grupo reunido para o Capítulo
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Notas de Formação – Lição 5
Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 5
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.
Notas de Formação
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco (TSSF)
Região do Brasil
A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário. (Adaptado das Notas de Formação da Província Ásia-Pacífico com permissão.)
Lição 5: Santa Clara de Assis: Sua Vida de Pobreza e seu Dom de Oração para a Igreja
Revisão da Lição 4: Na sua opinião, qual é o maior dom que São Francisco deu ao povo de Deus? Qual é o presente mais útil que ele tem dado para você pessoalmente?
O que há neste estudo? Exploramos a vida de Santa Clara de Assis para averiguar os principais dons que Clara deu à igreja: pobreza e oração. Nós identificamos como esses dons podem guiar nossas vidas como cristãos franciscanos.
Começando a explorar:
Santa Clara queria viver o mais simples possível para que não houvesse barreiras entre ela e suas relações com Deus e com os outros.
1.Suas posses vêm entre você e Deus?
2. Suas atitudes vêm entre você e as pessoas que você encontra no dia a dia?
3. O que você pode fazer para viver de forma mais simples?
Aprendendo com as Fontes Franciscanas
Domingo de Ramos, 1212
Poucos dias antes do Domingo de Ramos, a jovem, de coração inflamado e decidida a mudar de vida, procurou o homem de Deus, para inquirir sobre a forma como devia proceder. O santo Pai ordenou-lhe que se apresentasse bem vestida e adornada e que participasse com o povo na cerimônia de ramos e que na noite seguinte deixasse a cidade (cf. Heb 13, 13), transformando as alegrias mundanas em luto pela Paixão do Senhor (cf. Tig 4, 9).
Chegado o Domingo, Clara, sobressaindo pelo aspecto festivo, dirigiu-se com os demais para a igreja. Ali, algo de muito significativo aconteceu. Na altura da distribuição dos ramos, Clara ficou modestamente retraída, no seu lugar. Foi o próprio Bispo que, descendo os degraus, lhe fez a entrega pessoal do ramo.
Na noite seguinte, obedecendo às ordens do santo, empreendeu a saída tão desejada em companhia de pessoas de sua confiança. Não lhe parecendo prudente usar a saída do costume, optou por outra, abrindo com as próprias mãos e com uma força de que ela mesma se admirava, uma porta que há muito tempo estava obstruída com madeira e pedras.
Desta maneira deixou a casa, a cidade e os familiares e apressou-se a ir para Santa Maria da Porciúncula. Os irmãos, que à volta do altar celebravam as sagradas vigílias, receberam a virgem Clara com tochas acesas. Ali se libertou da imundície da Babilônia (Dt 24, 1) e repudiou tudo o que era mundano. Renunciando a todos os adornos, consentiu que os irmãos lhe cortassem os cabelos.
Não havia lugar mais adequado para testemunhar o nascimento desta Ordem de florescente virgindade, que esta igrejinha dedicada àquela que é a primeira e mais digna entre todas as mulheres, Mãe e Virgem ao mesmo tempo. Foi neste lugar que, sob a égide de Francisco, teve início a nova família dos pobres. Ficou assim manifesto que ambas as Ordens quiseram começar à sombra da proteção da Mãe de misericórdia.
Depois de Clara ter recebido perante o altar de Nossa Senhora as insígnias da santa penitência e de ter desposado Cristo como humilde serva, Francisco levou-a para a Igreja de São Paulo, onde deveria ficar até que o Altíssimo dispusesse doutra maneira.
*Celano, Legenda de Santa Clara de Assis (LCL), 7-8
O Privilégio da Pobreza
Querendo que a pobreza fosse timbre da Ordem, pediu ao Papa Inocêncio III, de santa memória, o Privilégio da Pobreza.Este homem venerável congratulou-se com o fervor de Clara. Mas advertiu-a de que o propósito era singular e que nunca tal privilégio fora solicitado à Santa Sé. E como tão insólito pedido exigia um não menos insólito favor, o mesmo Papa, pelo próprio punho, escreveu com grande alegria o primeiro esboço do privilégio pretendido.
O Papa Gregório, de santa memória, também ele um homem digno do trono papal e muito venerado pelos seus méritos, tinha ainda mais consideração e afeto por esta santa. Prevendo eventuais circunstâncias e os perigos do tempo, tentou persuadi-la a aceitar a posse de alguma propriedade que ele mesmo lhe oferecia. Mas Clara opôs-se sempre radicalmente e nunca cedeu minimamente a tais pretensões. Perante tal relutância, o Santo Padre explicou-lhe: “Se temes pelo voto, nós dispensamos-te dele”. Mas ela respondeu: “Santíssimo Padre, por nenhum preço quero ser dispensada de viver o seguimento de Cristo por todo o sempre.”
*Celano, Legenda de Santa Clara de Assis (LCL), 14
Admoesto e exorto no Senhor Jesus Cristo a todas as minhas irmãs, presentes e futuras, que se esforcem por seguir sempre o caminho da santa simplicidade, humildade e pobreza e que levem uma vida santa, como nos ensinou o Pai São Francisco no princípio da nossa conversão. *Testamento de Santa Clara (TCL) 56-57
Se for achada idônea, diga-se-lhe a palavra do Santo Evangelho que diz que vá e venda todas as suas coisas e as reparta pelos pobres (Mt 19, 21). Mas se não o puder fazer, basta-lhe a boa vontade.
*Regra de Santa Clara (RCL) 2.4, vv. 8-9.
Modelos de Oração
Uma Benção de Santa Clara
Mantém-te firme no que já alcançaste;
sê constante no que fazes;
não desanimes no caminho,
corre veloz,
com passo leve e sem tropeçar;
que nem a teus pés o pó se apegue;
avança segura,
alegre e jovial,
no caminho da felicidade,
não acredites nem confies
em quem te tentar desviar deste propósito;
ultrapassa todo o obstáculo do caminho, e sê fiel ao Altíssimo (cf. Sl 150, 14)
no estado de perfeição
a que te chamou o Espírito Santo.
*Segunda Carta de Santa Clara a Santa Inês de Praga (2CCL),11-14
Método de Oração de Santa Clara
Como virgem pobre, abraça a Cristo pobre.Contempla-O desprezado por teu amor e segue-O tornando-te desprezível por Ele neste mundo.Contempla, nobre rainha, o teu Esposo. Sendo o mais belo dos filhos dos homens ( cf. Sl 44, 3), transformou-se, para tua salvação, no mais desprezível dos mortais. Morreu na Cruz, no meio dos maiores sofrimentos, golpeado e vezes sem conta açoitado em todo o corpo. Olha, considera e contempla e que o teu coração se inflame na sua imitação.
*Segunda Carta de Santa Clara a Santa Inês de Praga (2CCL), 18-20
Uma Leitura dos Princípios
Dia Doze – O Terceiro Propósito (continuação)
Os gastos pessoais são limitados ao que é necessário para sua manutenção da saúde e bem estar, assim como a de seus dependentes. Eles aspiram a se colocar livres de toda dependência da riqueza, mantendo-se sempre cônscios da existência da pobreza no mundo e de seu envolvimento responsável de cada um deles nessa condição de penúria. Os terciários e as terciárias estão mais preocupados com a generosidade que tudo dá, do que com o valor da pobreza em si. Dessa forma eles refletem em espírito a aceitação do desafio de Jesus a vender tudo, dar tudo aos pobres e segui-lo.
Explorando mais a fundo:
Uma breve cronologia
1194 - Nasce Clara, a filha mais velha de Hortulana e Bernardino, família nobre.
1212 - Domingo de Ramos, Clara é recebida na Porciúncula por São Francisco e os frades.
1216 - Clara recebe o "privilégio da pobreza" do Papa Inocêncio III.
1224 - Começa longo período de má saúde que dura pelo resto da vida.
1240 - Clara defende a cidade de Assis contra os Sarracenos.
1253 - A Regra da comunidade é aprovada pelo Papa Inocêncio. Falece Clara.
1255 - Clara é canonizada pelo Papa Alexandre IV.
O privilégio da pobreza
O frade franciscano católico Romano, Daniel P. Horan, diz que a pobreza franciscana tem a ver com relacionamentos. Ele descreve três tipos de pobreza:
Pobreza material ou abjeta - falta forçada de necessidades humanas básicas.Isto NÃO é pobreza do evangelho, é mau e sempre deve ser protestado.
Espiritual - isso vem do pensamento dicotômico, especialmente quando o espiritual eo material estão separados. O evangelho fica desconectadoda vida diária e não é desejável.
Evangélico - o Caminho Franciscano. A pobreza não é a meta que buscamos, mas sim o meio para um coração aberto e compassivo. Através da pobreza evangélica, entregamos essas coisas (materiais, intelectuais, teológicas, etc.) que interferem com o nosso relacionamento com Deus e com os outros.
Portanto, a pobreza evangélica nos chama a:
1. Viver nossos votos batismais.
2. Render o que é necessário para quebrar barreiras aos relacionamentos, para que possamos viver em solidariedade uns com os outros.
3. Protestar contra estruturas de injustiça.
Clara, como Francisco, sempre colocou o evangelho primeiro. Isso permitiu que a misericórdia de Deus ea minoria do self moldassem sua visão do mundo. O privilégio da pobreza tinha a ver menos com posses materiais e mais com andar o caminho da misericórdia e vulnerabilidade.
Um Modelo de Oração
Em suas cartas a Agnes, Clara nos dá um caminho para seguir a Cristo usando um método de 4 passos de oração visual: olhar, considerar, contemplar, imitar.
Experimenta:
Olhar: Encontre um objeto de atenção - pode ser algo material, como uma cruz, um ícone ou uma flor; Ou pode ser algo em sua imaginação, uma imagem de Jesus andando ou de Deus segurando você ou de um lugar pacífico na natureza. Concentre-se no objeto, permita-se tornar-se quieto, inalar/exalar. Quando seu olhar vagueia para outros pensamentos, gentilmente traga-o de volta ao seu objeto de atenção sem julgamento.
Considerar: Observe seus pensamentos e sentimentos enquanto olha para o seu objeto. O que lhe parece interessante? O que está acontecendo, ou não acontece nada? Que sentimento está surgindo? O que de Deus você está sentindo? Você está enfrentando um desafio ou uma chamada? Se não sente nada, lembre que está bem. Deus vem na voz mansa, pequena.
Contemplar: Retorne à sua respiração e ao objeto de sua atenção. Permita que a curiosidade do passo 2 ceda lugar à quietude. Em vez disso, basta assistir a tudo o que surgiu sem controlar ou aferrar-se nele. Se o passo 2 foi ativo, este passo é receptivo, simplesmente estando presente à respiração, ao que você já experimentou, estar com Deus.
Imitar: Quando estiver pronto, dê graças por este tempo com Deus. Pergunte que pista você ganhou para seguir mais claramente a Jesus - raramente nós experimentamos um grande insight, geralmente descobrimos o menor dica, um fio finíssimo que pode parecer insignificante, mas seja o que fosse, basta, é transformador. Finalmente, tome algumas respirações profundas e encerra seu tempo de oração. Deixe o momento com a intenção de ir a imitar o Cristo.
Para Reflexão:
Ver de novo as passagens das Fontes sobre Clara apresentadas nesta lição.
❖O privilégio da pobreza
❖Modelos de Oração
1. Imagine Clare na noite em que deixou sua família para se juntar à família franciscana. O que ela foi forçada a render? Você seria tão ousado? De que você precisa renunciar para abraçar melhor a vocação franciscana?
2. Quais são algumas das coisas, idéias e/ou atividades em sua vida que são, ou poderiam ser, uma barreira entre você e seu relacionamento
a. Com Deus?
b. com outros?
c. com você mesmo?
3. Praticar o método de 4 passos de oração visual identificado por Clara. Que insight ou sentimento você teve? Como poderia ajudá-lo no seu caminho para seguir a Jesus? Compartilhe sua experiência com seu companheiro espiritual.
Ação ministerial
A espiritualidade de Clara é bem captada na oração de São Ricardo, Bispo de Chichester (1197-1253), popularizada no Opera Rock Godspell (1971) com a música "Day by Day" cantada por Maria de Magdala:
Dia trás dia, dia trás dia,
Caro Senhor, de ti três coisas eu peço:
Verte mas claramente,
Amar-te mas sinceramente
Seguir-te mas de cerca,
Dia trás dia.
Que ação concreta você pode abraçar em sua regra pessoal que o ajudará a aprofundar seus relacionamentos praticando a pobreza evangélica e seguindo Jesus mais de perto?
Mais leitura - só se sentir chamado
(Ser Franciscano NÃO é ler mais livros!)
Online:
http://www.editorialfranciscana.org/portal/index.php?id=5655
Escritos, documentos biográficos, Privilégio da Pobreza
Livros:
Frei Dorvalino Francisco Fassini, OFM et al., Fontes Franciscanas (São Paulo: Santo André, 2005)
Agamben, Giorgio. Altíssima Pobreza. Tradução de Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo Editorial, 2014, 220 páginas.
Para quem quer aprofundar a temática da pobreza franciscana, o melhor é o terceiro capítulo do livro.
Pensando para frente:
Na próxima lição consideraremos os seguidores de São Francisco e Santa Clara. Você pode nomear franciscanos que foram testemunhas de Cristo e de São Francisco e Santa Clara nos últimos 800 anos?
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Notas de Formação – Lição 2
Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 2.
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.Notas de Formação – Lição 2
O Companheiro Espiritual
O que há neste estudo?
Exploraremos
como o ideal francisclariano é alcançado apenas em comunidade e com o apoio de
uma companheira espiritual, alguém que se identifique com a sua vocação, que
não o julgue pelas suas lutas e o encoraje ao longo do caminho.
Para começar a explorar
1.Você
tem atualmente um companheiro espiritual? Caso afirmativo, dar um exemplo de
algo que ele ou ela ajudou você a entender, algo que a oração ou o estudo
sozinho não iluminaram completamente. Caso que não, você vai buscar logo?
2. O
que você espera do relacionamento com sua companheira espiritual?
3.
Santo Aelred disse: "Aquele que permanece na 'amizade' permanece em Deus,
e Deus nele" (1 João 4:16 parafraseado). Como pode manter o seu relacionamento
centrado em Cristo?
Aprendendo com as Fontes Franciscanas
Da Forma de Vida
E
depois que o Senhor me deu Irmãos, ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o
próprio Altíssimo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do Santo
Evangelho.
Testamento
Da Correção
Bem-aventurado
o servo que suporta advertência, acusação e repreensão de outro tão
pacientemente como de si mesmo. Bem-aventurado o servo que, na repreensão, benignamente
aquiesce, com reverência obedece, com humildade se confessa e da boa vontade a
satisfaz.
As Admoestações de São Francisco, 22
Como S. Francisco recebeu o conselho de S. Clara e do Frei
Silvestre
O
humilde servo de Cristo S. Francisco, pouco tempo depois de sua conversão,
tendo já reunido e recebido na Ordem muitos companheiros, entrou a pensar muito
e ficou em dúvida sobre o que devia fazer, se somente entregar-se à oração, ou
bem a pregar algumas vezes: e sobre isso desejava muito saber a vontade de
Deus.
E
porque a humildade que tinha não o deixava presumir de si nem de suas orações,
pensou de conhecer a vontade divina por meio das orações dos outros.
Pelo
que chamou Frei Masseo e disse-lhe assim: "Vai a Soror Clara e dize-lhe da
minha parte que ela com algumas das mais espirituais companheiras rogue
devotadamente a Deus seja de seu agrado mostrar-me o que mais me convém: se me
dedicar à pregação ou somente à oração. E depois vai a Frei Silvestre e
dize-lhe o mesmo".
Foi
Frei Masseo, e conforme a ordem de S. Francisco, deu conta da embaixada primeiramente
a S. Clara e depois a Frei Silvestre. O qual, logo que a recebeu, imediatamente
se pôs em oração e, rezando, obteve a resposta divina, e voltou a Frei Masseo e
disse-lhe assim: "Isto disse Deus para dizeres ao irmão Francisco: que
Deus não o chamou a este estado somente para si; mas para que ele obtenha fruto
das almas e que muitos por ele sejam salvos".
Obtida
esta resposta, Frei Masseo voltou a S. Clara para saber o que ela tinha
conseguido de Deus; e respondeu que ela e outra companheira tinham obtido de
Deus a mesma resposta que tivera Frei Silvestre. Com isto tornou Frei Masseo a
S. Francisco; e S. Francisco o recebeu com
grandíssima
caridade e perguntou-lhe: "Que é que ordena que eu faça o meu Senhor Jesus
Cristo?" Respondeu Frei Masseo: "Tanto a Frei Silvestre como a Soror
Clara e à irmã, Cristo respondeu e revelou que sua vontade é que vás pelo mundo
a pregar, porque ele não te escolheu para ti somente, mas ainda para a salvação
dos outros".
E
então S. Francisco, ouvindo aquela resposta e conhecendo por ela a vontade de
Cristo, levantou-se com grandíssimo fervor e disse: "Vamos em nome de
Deus".
Florezinhas 16
Uma Leitura de os Princípios
Dia Vinte e Seis – A Segunda Nota (continuação)
Portanto, nós ansiamos por amar a todos a quem estão ligados por
laços de família ou amizade. Seu amor por eles e elas se desenvolve à medida
que seu amor por Cristo se aprofunda.
Nós temos um amor e uma afeição especiais para com os demais
membros da erceira Ordem, orando uns pelos outros individualmente e buscando
crescer nesse amor. Nós estamos de guarda contra qualquer coisa que possa
prejudicar este amor, e nós procuramos a reconciliação com aqueles de quem nós
estamos separados. Nós buscamos ter o mesmo amor para com aqueles com quem
temos pouca afinidade natural, pois este tipo de amor não se firma na emoção,
mas é um elo firmado em sua própria união comum com Cristo.
Explorando mais profundamente: O Companheirismo
Espiritual
Por que você precisa de uma Companheira Espiritual?
Para seguir Jesus, praticar uma disciplina Francisclariana, amar a
Deus e a nossos vizinhos cordialmente, precisamos de um apoio, de um amigo, de
restaurador de perspectiva, em resumo, de um guia.
O companheirismo espiritual tem que envolver toda nossa vida:
nossas relações em nossas famílias e comunidades como também nossas relações
com Deus em oração e ação. Uma companheira espiritual nos ajuda a nos ver como
Deus nos vê, com nosso potencial ou forças e fraquezas, e a vermos o mundo e
nossos irmãos e irmãs como Deus os vê, com necessidades físicas e espirituais.
Para companheiro, escolha alguém com quem você pode se encontrar
regularmente, e que pode ser objetivo com você. Escolha alguém cujas sugestões
você considerará seriamente quando elas conflitarem com as suas próprias.
Lembre-se de que há muitos homens e mulheres leigos pensadores e devotos que
podem servir como Companheiros Espirituais; eles não precisam ser clérigos. Sua
companheira precisa saber o que você está tentando fazer e que ferramentas espirituais
você usa na tarefa. Ele ou ela também precisa saber sua situação de vida, que
demandas você tem e quais suas responsabilidades.
Um Companheiro Espiritual é alguém que é:
● um apoio e
companheira no caminho.
● às vezes
uma caixa de ressonância.
● às vezes
um catalisador, acelerando ou reduzindo a velocidade de reações, ajudando a nos
transformar na pessoa que Deus quer que sejamos.
● às vezes
um guia, nos dirigindo pela névoa de nossas emoções, de nossa depressão, de nossa
visão.
● às vezes
uma pedra de toque que testa nossas motivações ou intenções.
● às vezes
uma força que nos acalma, restabelecendo nosso equilíbrio quando problemas
pessoais ou simplesmente a loucura de um mundo materialista transtorna nosso
equilíbrio.
Ao escolher um Companheiro Espiritual,
lembre-se de que ele ou ela:
●
tem que entender seu compromisso com um Cristianismo radical do modo
franciscano, uma vida de oração, disciplina, estudo e trabalho que produz
humildade, amor e alegria.
●
tem que ter humildade para ouvir e responder; é capaz de ouvir além do que as
palavras dizem sem julgamento; não é autócrata.
●
tem que ter conhecimento de si mesmo e seu próprio espírito; tem prática
pessoal de oração.
●
tem reverência para todas as criaturas de Deus e deseja o bem-estar delas e de
você.
●
tem disciplina de si mesmo e sabe respeitar fronteiras pessoais.
Com que frequência vocês devem se reunir?
Normalmente,
uma vez cada mês, mas depende das circunstâncias individuais, trimestralmente
pode ser suficiente. Confirmar com seu diretor de formação e sua companheira espiritual
o que funciona o melhor para você e sua desenvolvimento no caminho
francisclariano. A meta é manter uma relação aberta e saudável com o
companheiro espiritual. Se você perceber que está demorando para se reunir com
sua companheira espiritual, pergunte-se porquê.
Para Reflexão:
1.
Agora, como você vê o relacionamento com sua companheira espiritual?
Que
insight você ganhou ao estudar esta lição?
2. O
que mais anima você em relação à seu companheiro espiritual? O que mais desafia
você?
3. O
que as seguintes palavras do cisterciense Thomas Merton significam para você?
"O guia espiritual vale o seu sal se conduzir uma campanha determinada
contra todas as formas de ilusão que se levantam da ambição espiritual e da
autocomplacência que apontam para estabelecer o ego em glória espiritual."
(Zen e os Pássaros do Desejo)
Notas para sua Companheira Espiritual
Conforme com a Constituição da TSSF, seção 4.1.a: Cada membro da
Terceira Ordem deve ter um Companheiro Espiritual, que normalmente tem a seu
vez o seu próprio Companheira Espiritual e aceita os ‘Princípios’ como a base
da direção.
Os Companheiros Espirituais de terciário/as podem ter treinamento
formal e longa experiência em direção ou nenhuma; eles podem ser clérigos,
membros de ordens religiosas ou leigos. Onde quer que você esteja no largo
espectro da direção, agradecemos sua vontade de ajudar. Sem companheirismo,
todos corremos risco da autodesilusão e caímos na vala da jornada espiritual.
Não há nada tão importante para nossa saúde espiritual como uma boa Companheira
Espiritual. (De Um Guia Franciscano para
Diretor Espiritual, TSSF, Província das Américas,
Rev. Robert Goode, 1991. Revisado de 2000.)
Fundamentos para o Companheiro Espiritual se lembrar:
● O companheirismo
espiritual não é igual ao aconselhamento pastoral. Serve para ajudar um indivíduo
a reconhecer e desenvolver uma relação pessoal mais profunda com Deus.
●
Tudo o que é dito durante a companheirismo é confidencial e não deve
ser compartilhado fora da relação.
●
Manter o tempo com seu formando focalizado na direção mais do que em
uma conversação casual é especialmente importante se seu dirigido também for
seu amigo. Fixar e manter um tempo específico para começar e terminar o
encontro e manter isto pode ajudar em guardar à parte o tempo social. (Uma hora
normalmente é o mais correto.)
●
Tudo na vida de seu formando refletirá sua relação com Deus. A vida
religiosa de uma pessoa não é algo que possa ser separado da sua vida do
dia-a-dia. Em geral, se as relações pessoais da pessoa estão fora de controle, assim
será a relação da pessoa com Deus.
●
Comece fazendo algumas perguntas. Como seu formando veio a procurar
companheirismo espiritual? Como é a sua vida de oração? O que espera o seu
formando da relação de direção? (Quais são suas próprias expectativas?)
●
Você não tem que compartilhar a mesma espiritualidade para dirigir
alguém, mas, se você se acha incapaz de se relacionar com a pessoa ou se sente
incômodo, você pode sugerir que a pessoa procure outra companheira.
●
Às vezes, o que não é dito é mais revelador do que o que é dito.
Esteja atento quando assuntos estiverem sendo evitados, e não tenha nenhum medo
de fazer perguntas pertinentes.
●
Começar a sessão com uma oração ou alguns minutos de reflexão
silenciosa pode ajudar estabelecer o foco.
●
Tente fazer mais escutando do que falando. Compartilhar suas
próprias experiências às vezes pode ser útil, mas pode se mostrar intimidante.
Isso é algo que você terá que discernir por si mesmo.
* Em
breve será publicada a Lição 3
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Notas de Formação TSSF Brasil
Notas de
Formação – Lições 1 e 2
A Terceira Ordem, Sociedade de São Francisco (TSSF) - Região do Brasil -
está lançando as Notas de Formação em duas partes, a Lição 1 e a Lição 2.
A Lição 1, a primeira parte das Notas de Formação consiste em explicar o
que é a Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco e como se dá o processo de
Formação para as pessoas que desejam fazer parte da TSSF. O estudo inicia
tratando sobre a vocação francisclariana, bebendo das fontes franciscanas, ou
seja, buscando inspiração nos primeiros de São Francisco de Assis ou no que seus
companheiros escreveram sobre sua vida.
Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 1.
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.
Notas de Formação
Terceira Ordem, Sociedade de São Francisco (TSSF) - Região do
Brasil
A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote.
Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário.
Lição 1: O Que é a Terceira Ordem, Sociedade de São Francisco e o que é o processo de Formação?
O que está neste estudo? Exploramos
os começos da vocação franciscana, o que é a Terceira Ordem e o processo de
formação que nos ajuda a realizar a nossa vocação pessoal dentro da comunidade
TSSF.
Para começar a explorar
1. O que o atrai
para a vocação franciscana?
2. Como você imagina
viver por uma regra pessoal de vida e em comunidade, embora dispersa, como isso
pode fazer diferença em sua vida diária?
3. Quais são as
suas esperanças, perguntas e preocupações para começar o programa de formação
para se tornar um/a terciário(a)?
Aprendendo com as Fontes Franciscanas
Uma Mensagem de Paz
"Ide,
disse o doce pai aos filhos, anunciar a paz aos homens, pregai a penitência
para a remissão dos pecados. Sede pacientes nas tribulações, vigilantes na
oração, vigorosos no trabalho, modestos nos discursos, austeros nos costumes e
agradecidos nos benefícios, pois, por tudo isto, vos está preparando um Reino
eterno. E eles, prostrando-se, por terra, com humildade, diante do servo de
Deus, receberam, com alegria de espírito, a ordem da santa obediência."
São
Boaventura, Legenda Maior de São
Francisco 3:7
Fazer conhecer suas necessidades entre si
E um
manifeste ao outro com confiança a sua necessidade, para que se encontre o necessário
e lhe seja servido. E cada qual ame e nutra seu Irmão assim como a mãe ama e nutre
seu filho.
Regra Não Bulada (1221)
Capítulo IX
Da Recepção dos Irmãos e Irmãs
Se alguém, por
inspiração divina, querendo aceitar esta vida, vier aos nossos Irmãos, seja
recebido benignamente por eles. E, se estiver firme para aceitar a nossa vida,
cuidem-se muito os Irmãos de não se intrometerem nos seus negócios temporais,
mas apresentem-no, quanto antes, ao seu Ministro.
Regra Não Bulada (1221) Capítulo
II
Uma Leitura de os Princípios
Dia Quatro – O Objetivo (continuação)
Quando
São Francisco encorajou a formação da Terceira Ordem, ele reconheceu que muitos
são chamados a servir a Deus em espírito de Pobreza, Castidade e Obediência na vida
diária (diferentemente da aceitação literal desses princípios como nos votos
feitos pelos Irmãos e Irmãs das Ordens Primeira e Segunda). A Regra da Terceira
Ordem tem como intenção permitir que as obrigações e condições da vida diária
sejam conduzidas dentro deste espírito.
Explorando mais profundamente: Quem somos?
Francisco foi um ser
humano carismático que refletia o amor de Cristo e vivia o Evangelho na sua
vida. Quase todos que o conheceram o amaram e queriam seguir o seu caminho. A
vocação franciscana estava aberta a todos e não estava limitada à vida
celibatária dos sem-teto e pobres.
Francisco,
rapidamente, viu que o povo que levava uma vida comum tinha sido chamado a
servir a Deus com corações e vidas totalmente comprometidos. Assim, há mais de
800 anos, nasceram os Irmãos e Irmãs da Penitência.
As três expressões
dentro da vocação franciscana, as Ordens Primeira, Segunda e Terceira, incorporam
a trindade amorosa da co-igualdade e mutualidade. Na Comunhão Anglicana, a
Primeira Ordem consiste dos Irmãos da Sociedade de São Francisco (SSF) e as
Irmãs da Comunidade de São Francisco (CSF); a Segunda Ordem, as Irmãs da
Comunidade de Santa Clara (CSCI); e os Irmãos e Irmãs da Terceira Ordem (TSSF).
As Primeira e Segunda Ordens moram juntos nas suas comunidades particulares,
enquanto a Terceira Ordem consiste de homens e mulheres nas caminhadas ordinárias
de vida e moram na comunidade na dispersão. A expressão "Terceira
Ordem" denota uma ordem religiosa que vive sob regra e votos, fora de um
convento, geralmente sem hábitos ou trajes religiosos, na vida secular
ordinária.
É um chamado
específico: somos chamados a refletir o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo
e seu amor incondicional em qualquer lugar em que sejamos chamados a servir.
Permanecemos uma “Ordem
de Penitentes”, embora nos chamemos “terciários/as”, e nossos irmãos e irmãs
católicos romanos se chamem de “franciscanos seculares.” A palavra “penitente”
tem raiz na palavra grega metanoia: de se voltar (ou
re-tornar) para Deus. Esse é o nosso primeiro foco como “penitentes”: estar
sempre voltando nossas faces e nosso ser interior para nosso bem-amado Senhor.
Nos esforçamos pela paz e unidade na família de Deus através do Evangelho
vivendo segundo os modos de São Francisco. O primeiro foco é ordenar nossas
próprias vidas, aprender a viver a Regra como indivíduos em uma comunidade
dispersa. Esse é um processo de internalização e nos encontramos ordenando tudo
em conformidade com o enfoque que nossa Regra requer. Isso acontece devagar e
imperceptivelmente; com o passar do tempo, viver essa Regra se transforma de um
esforço consciente a uma parte integrante do nosso ser. A Regra se torna nosso
centro de orientação interior que permeia nossas ações e palavras. Formar nossa
natureza espiritual por meio da vivência da regra de vida com responsabilidade
à comunidade é uma antiga tradição. Qualquer regra, franciscana ou outra
qualquer, geralmente inclui práticas diretas para conhecer melhor o Senhor
(oração pessoal e estudo do Evangelho), para conhecer melhor a nós mesmos
(oração pessoal, direção espiritual e auto-exame) e esforçar-nos para tornarmos
plenos em Cristo (mais oração pessoal, penitência e negação de si mesmo).
Ao invés de trancar-se
num mosteiro, Francisco saiu e abraçou o mundo inteiro com braços abertos –
assim como seu modelo, o Cristo crucificado. Seu alcance se fundamentava nas insinuações
do Espírito Santo que ele percebia em sua profunda vida de oração, e nos
Evangelhos e na comunidade. E ele fazia todas as coisas com grande coração e
muita alegria. Oração que leva à ação, generosidade e júbilo de espírito,
cuidadoso discernimento e muita proximidade com os ensinamentos e exemplos do
nosso Senhor Jesus Cristo devem caracterizar nossa maneira de ser no mundo, tal
como caracterizavam an a Francisco.
Somos chamados a
comunidade, assim como foi Francisco, embora geralmente não
moremos juntos. Somos
chamados a orar, estudar e trabalhar para o reino vindouro de Deus. Somos chamados
a conformar nossas vidas e valores ao modelo do Evangelho embora vivendo em
nossas vidas particulares seculares.
Para Reflexão:
2. O que mais anima você em
relação à sua regra pessoal? O que mais desafia você?
3. Que ação concreta você pode
realizar agora em resposta ao que foi discutido nesta lição?
Passos no Processo de Formação:
Aspirante: Aqueles que se sentirem chamados a uma
vida dentro da TSSF podem buscar admissão como Postulante, preenchendo o Questionário
Pessoal e entregando-o ao Diretor de Formação junto com um esboço de sua Regra
de Vida.
Postulante: O estágio de Postulante demora, normalmente, 6 meses. O Postulante
deve procurar um Companheiro Espiritual para acompanhá-lo em sua jornada franciscana.
Quando disponível, o Postulante participará regularmente do grupo de Formação
local ou Fraternidade onde o Postulante vai aprender e refletir sobre a
observância da sua Regra, e mais geralmente, sobre sua vida franciscana.
Noviço: Normalmente, seis meses ou mais depois da sua aceitação, o
Postulante pode solicitar ao Diretor de Formação admissão como Noviço. A
cerimônia de Admissão de Noviço iniciará o tempo do Noviciado. O Noviço fará o
curso de treinamento prescrito pelo Diretor de Formação, normalmente sendo una
continuação do programa do Postulante, para aprofundar seu entendimento da vida
franciscana e a observância da sua Regra de Vida.
Nota: Um pedido de admissão para a
TSSF de alguém que foi professo numa comunidade religiosa e dispensado destes
votos, será feito ao Capelão que determinará, em consulta com o Diretor de
Formação, um período de formação de não menos de doze meses, apropriado à
situação do candidato. Com a aprovação do Capítulo, o candidato pode professar
na Terceira Ordem.
Profissão: Normalmente,
depois de pelo menos dois anos de noviciado, e ao ser convidado pelo Diretor de
Formação, o Noviço entregará por escrito seu pedido para profissão ao Diretor
de Formação. Cartas de apoio podem ser enviadas ao Diretor de Formação. O Diretor
de Formação junto com o Capelão apresentarão o candidato ao Capítulo para
eleição à Profissão. A cerimônia de Profissão marca o novo membro Professo,
onde ele ou ela recebe a Cruz de Profissão e o Mandato de Profissão assinado. O
membro Professo deve usar a cruz como o símbolo de membresia na Terceira Ordem.
Notas de Formação TSSF Brasil
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