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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Notas de Formação TSSF Brasil

Notas de Formação – Lições 1 e 2
A Terceira Ordem, Sociedade de São Francisco (TSSF) - Região do Brasil - está lançando as Notas de Formação em duas partes, a Lição 1 e a Lição 2.
A Lição 1, a primeira parte das Notas de Formação consiste em explicar o que é a Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco e como se dá o processo de Formação para as pessoas que desejam fazer parte da TSSF. O estudo inicia tratando sobre a vocação francisclariana, bebendo das fontes franciscanas, ou seja, buscando inspiração nos primeiros de São Francisco de Assis ou no que seus companheiros escreveram sobre sua vida.

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 1. 
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Notas de Formação
Terceira Ordem, Sociedade de São Francisco (TSSF) - Região do Brasil

A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. 
Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário.


Lição 1: O Que é a Terceira Ordem, Sociedade de São Francisco e o que é o processo de Formação?
O que está neste estudo? Exploramos os começos da vocação franciscana, o que é a Terceira Ordem e o processo de formação que nos ajuda a realizar a nossa vocação pessoal dentro da comunidade TSSF.

Para começar a explorar
1. O que o atrai para a vocação franciscana?
2. Como você imagina viver por uma regra pessoal de vida e em comunidade, embora dispersa, como isso pode fazer diferença em sua vida diária?
3. Quais são as suas esperanças, perguntas e preocupações para começar o programa de formação para se tornar um/a terciário(a)?

Aprendendo com as Fontes Franciscanas

Uma Mensagem de Paz
"Ide, disse o doce pai aos filhos, anunciar a paz aos homens, pregai a penitência para a remissão dos pecados. Sede pacientes nas tribulações, vigilantes na oração, vigorosos no trabalho, modestos nos discursos, austeros nos costumes e agradecidos nos benefícios, pois, por tudo isto, vos está preparando um Reino eterno. E eles, prostrando-se, por terra, com humildade, diante do servo de Deus, receberam, com alegria de espírito, a ordem da santa obediência."
São Boaventura, Legenda Maior de São Francisco 3:7

Fazer conhecer suas necessidades entre si
E um manifeste ao outro com confiança a sua necessidade, para que se encontre o necessário e lhe seja servido. E cada qual ame e nutra seu Irmão assim como a mãe ama e nutre seu filho.
Regra Não Bulada (1221) Capítulo IX

Da Recepção dos Irmãos e Irmãs
Se alguém, por inspiração divina, querendo aceitar esta vida, vier aos nossos Irmãos, seja recebido benignamente por eles. E, se estiver firme para aceitar a nossa vida, cuidem-se muito os Irmãos de não se intrometerem nos seus negócios temporais, mas apresentem-no, quanto antes, ao seu Ministro.
Regra Não Bulada (1221) Capítulo II

Uma Leitura de os Princípios
Dia Quatro – O Objetivo (continuação)
Quando São Francisco encorajou a formação da Terceira Ordem, ele reconheceu que muitos são chamados a servir a Deus em espírito de Pobreza, Castidade e Obediência na vida diária (diferentemente da aceitação literal desses princípios como nos votos feitos pelos Irmãos e Irmãs das Ordens Primeira e Segunda). A Regra da Terceira Ordem tem como intenção permitir que as obrigações e condições da vida diária sejam conduzidas dentro deste espírito.

Explorando mais profundamente: Quem somos?
Francisco foi um ser humano carismático que refletia o amor de Cristo e vivia o Evangelho na sua vida. Quase todos que o conheceram o amaram e queriam seguir o seu caminho. A vocação franciscana estava aberta a todos e não estava limitada à vida celibatária dos sem-teto e pobres.
Francisco, rapidamente, viu que o povo que levava uma vida comum tinha sido chamado a servir a Deus com corações e vidas totalmente comprometidos. Assim, há mais de 800 anos, nasceram os Irmãos e Irmãs da Penitência.
As três expressões dentro da vocação franciscana, as Ordens Primeira, Segunda e Terceira, incorporam a trindade amorosa da co-igualdade e mutualidade. Na Comunhão Anglicana, a Primeira Ordem consiste dos Irmãos da Sociedade de São Francisco (SSF) e as Irmãs da Comunidade de São Francisco (CSF); a Segunda Ordem, as Irmãs da Comunidade de Santa Clara (CSCI); e os Irmãos e Irmãs da Terceira Ordem (TSSF). As Primeira e Segunda Ordens moram juntos nas suas comunidades particulares, enquanto a Terceira Ordem consiste de homens e mulheres nas caminhadas ordinárias de vida e moram na comunidade na dispersão. A expressão "Terceira Ordem" denota uma ordem religiosa que vive sob regra e votos, fora de um convento, geralmente sem hábitos ou trajes religiosos, na vida secular ordinária.
É um chamado específico: somos chamados a refletir o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo e seu amor incondicional em qualquer lugar em que sejamos chamados a servir.
Permanecemos uma “Ordem de Penitentes”, embora nos chamemos “terciários/as”, e nossos irmãos e irmãs católicos romanos se chamem de “franciscanos seculares.” A palavra “penitente” tem raiz na palavra grega metanoia: de se voltar (ou re-tornar) para Deus. Esse é o nosso primeiro foco como “penitentes”: estar sempre voltando nossas faces e nosso ser interior para nosso bem-amado Senhor. Nos esforçamos pela paz e unidade na família de Deus através do Evangelho vivendo segundo os modos de São Francisco. O primeiro foco é ordenar nossas próprias vidas, aprender a viver a Regra como indivíduos em uma comunidade dispersa. Esse é um processo de internalização e nos encontramos ordenando tudo em conformidade com o enfoque que nossa Regra requer. Isso acontece devagar e imperceptivelmente; com o passar do tempo, viver essa Regra se transforma de um esforço consciente a uma parte integrante do nosso ser. A Regra se torna nosso centro de orientação interior que permeia nossas ações e palavras. Formar nossa natureza espiritual por meio da vivência da regra de vida com responsabilidade à comunidade é uma antiga tradição. Qualquer regra, franciscana ou outra qualquer, geralmente inclui práticas diretas para conhecer melhor o Senhor (oração pessoal e estudo do Evangelho), para conhecer melhor a nós mesmos (oração pessoal, direção espiritual e auto-exame) e esforçar-nos para tornarmos plenos em Cristo (mais oração pessoal, penitência e negação de si mesmo).
Ao invés de trancar-se num mosteiro, Francisco saiu e abraçou o mundo inteiro com braços abertos – assim como seu modelo, o Cristo crucificado. Seu alcance se fundamentava nas insinuações do Espírito Santo que ele percebia em sua profunda vida de oração, e nos Evangelhos e na comunidade. E ele fazia todas as coisas com grande coração e muita alegria. Oração que leva à ação, generosidade e júbilo de espírito, cuidadoso discernimento e muita proximidade com os ensinamentos e exemplos do nosso Senhor Jesus Cristo devem caracterizar nossa maneira de ser no mundo, tal como caracterizavam an a Francisco.
Somos chamados a comunidade, assim como foi Francisco, embora geralmente não
moremos juntos. Somos chamados a orar, estudar e trabalhar para o reino vindouro de Deus. Somos chamados a conformar nossas vidas e valores ao modelo do Evangelho embora vivendo em nossas vidas particulares seculares.

Para Reflexão:
1. O que você vê como o aspecto mais desafiador de viver a vida religiosa ao exercer uma vida secular ordinária?
2. O que mais anima você em relação à sua regra pessoal? O que mais desafia você?
3. Que ação concreta você pode realizar agora em resposta ao que foi discutido nesta lição?

Passos no Processo de Formação:
Aspirante: Aqueles que se sentirem chamados a uma vida dentro da TSSF podem buscar admissão como Postulante, preenchendo o Questionário Pessoal e entregando-o ao Diretor de Formação junto com um esboço de sua Regra de Vida.
Postulante: O estágio de Postulante demora, normalmente, 6 meses. O Postulante deve procurar um Companheiro Espiritual para acompanhá-lo em sua jornada franciscana. Quando disponível, o Postulante participará regularmente do grupo de Formação local ou Fraternidade onde o Postulante vai aprender e refletir sobre a observância da sua Regra, e mais geralmente, sobre sua vida franciscana.
Noviço: Normalmente, seis meses ou mais depois da sua aceitação, o Postulante pode solicitar ao Diretor de Formação admissão como Noviço. A cerimônia de Admissão de Noviço iniciará o tempo do Noviciado. O Noviço fará o curso de treinamento prescrito pelo Diretor de Formação, normalmente sendo una continuação do programa do Postulante, para aprofundar seu entendimento da vida franciscana e a observância da sua Regra de Vida.

Nota: Um pedido de admissão para a TSSF de alguém que foi professo numa comunidade religiosa e dispensado destes votos, será feito ao Capelão que determinará, em consulta com o Diretor de Formação, um período de formação de não menos de doze meses, apropriado à situação do candidato. Com a aprovação do Capítulo, o candidato pode professar na Terceira Ordem.

Profissão: Normalmente, depois de pelo menos dois anos de noviciado, e ao ser convidado pelo Diretor de Formação, o Noviço entregará por escrito seu pedido para profissão ao Diretor de Formação. Cartas de apoio podem ser enviadas ao Diretor de Formação. O Diretor de Formação junto com o Capelão apresentarão o candidato ao Capítulo para eleição à Profissão. A cerimônia de Profissão marca o novo membro Professo, onde ele ou ela recebe a Cruz de Profissão e o Mandato de Profissão assinado. O membro Professo deve usar a cruz como o símbolo de membresia na Terceira Ordem.

Notas de Formação TSSF Brasil

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Natal da Igreja na Rua

Igreja na Rua reúne-se todos os sábados às 18:00 horas a Rua Uruguaiana, em frente a Líder Magazine, no centro do do Rio, onde acontece a Missa,  seguida da distribuição de alimentos. 
Igreja na Rua no Rio vai completar 10 anos de existência no próximo dia 25 de dezembro e neste Natal foi celebrada a Eucaristia e confraternizado o nascimento de Jesus, que também foi um menino pobre e sem teto.
Clique no link e veja as imagens do Natal da Igreja na Rua e acompanhe mais informações sobre o projeto da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

sábado, 14 de novembro de 2015

Encontro com o leproso

por Frei Vitório Mazzuco

A tradição das Fontes Franciscanas coloca como marco da conversão definitiva de Francisco de Assis o seu encontro com o leproso. Velho e conhecido tema! Novo e sempre desafiador e fascinante tema! Que encontro foi este? Foi apenas ver, conhecer, cumprimentar, abraçar, beijar? Mera curiosidade? Afinal de contas quem não quer dar uma olhadinha na tragédia alheia? O certo é que Francisco foi onde ninguém do seu tempo queria ir: misturar-se com a miséria, com a pobreza, com a contaminação, com a doença, com o fétido, com o horrível. Foi e permaneceu ali como verdadeira iniciação: encontrar-se verdadeiramente com alguém é aproximar-se da sua realidade por mais terrível que ela seja. Encontrar-se é fazer vibrar o coração, é perceber o que se passa na intimidade do outro e da outra. O encontro de Francisco com o leproso, mais do que um momento, é uma atitude que vai envolvendo toda a vida.
E isto tudo começa quando ele percebe-se infeliz e não satisfeito com o seu status: rico, empreendedor emergente, comerciante próspero, filho de Pedro Bernardone, líder da juventude em Assis, boêmio, generoso, folgazão, pródigo e vivaz. Tem tudo para dar certo e ser uma pessoa de sucesso, mas ele descobre que ser uma pessoa realizada é muito mais importante que ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é efêmero, a realização é para sempre!
Para encontrar-se com a necessidade do outro e da outra é preciso mudar de lugar. A conversão de Francisco é mudar de lugar! Ele dá um salto, sai da sua situação e mergulha na proposta do Evangelho: o Reino de Deus é a ética do cuidado! Por isso vai para as ruínas, sai fora dos limites da cidade, aproxima-se dos excluídos, vai viver com eles.
Quando a sociedade exclui a pessoa, ela apodrece o humano. A pior lepra que existe é ser colocado à margem de tudo. A pior doença que existe é tirar da pessoa a possibilidade de conviver.
Abraçar o que perdeu a chance de estar onde todos devem estar é que causa impacto. Conversão é deixar-se impactar-se. O leproso abala as estruturas todas de Francisco e afina seus sentidos para cuidar do humano. Aprendeu com a fala da Cruz que reconstruir significa colocar novamente a humanidade em pé.
Como um enfermeiro ousado, como um terapeuta engajado, como um assistente social comprometido, como um evangelizador inserido, ele vai lá consertar o indivíduo para consertar a humanidade toda, melhorar o leprosário para tornar o mundo todo mais sadio de amor, ternura, afeto. Usou um único remédio que conhecia: a fraternidade.
As Fontes Franciscanas falam do beijo. Beijar é passar o sopro de vida, o hálito que alenta, o toque que refaz. Mas quem beijou quem? Deixar-se beijar é mais do que beijar. Francisco recebe o toque de quem tem um último sopro de vida e esperança, um último fio de confiança. A confiança perdida é o paraíso perdido.
“E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles” (Testamento, 2). Não disse “eu tive dó deles”, “que judiação!”, “que pena!”, mas disse “eu tive misericórdia com eles”. Ter misericórdia com! Ir lá junto do sofrimento, misturar-se com a paixão dos que padecem a falta de cuidado. Quem vai lá, pouco a pouco, traz de volta ao Paraíso. Reconduz o humano ao seu melhor lugar. É preciso ir com o coração nas mãos e nas palavras. É muito diferente ser tocado por alguém que tem o coração nas mãos. Foi assim que o leproso beijou Francisco.

Fonte do texto e imagem: http://www.franciscanos.org.br/?p=25309
Site da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.