quarta-feira, 14 de junho de 2017

Notas de Formação – Lição 5

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 5
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Notas de Formação
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco (TSSF)
Região do Brasil
A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário. (Adaptado das Notas de Formação da Província Ásia-Pacífico com permissão.)

Lição 5: Santa Clara de Assis: Sua Vida de Pobreza e seu Dom de Oração para a Igreja
Revisão da Lição 4: Na sua opinião, qual é o maior dom que São Francisco deu ao povo de Deus? Qual é o presente mais útil que ele tem dado para você pessoalmente?
O que há neste estudo? Exploramos a vida de Santa Clara de Assis para averiguar os principais dons que Clara deu à igreja: pobreza e oração. Nós identificamos como esses dons podem guiar nossas vidas como cristãos franciscanos.

Começando a explorar: 
Santa Clara queria viver o mais simples possível para que não houvesse barreiras entre ela e suas relações com Deus e com os outros.
1.Suas posses vêm entre você e Deus?
2. Suas atitudes vêm entre você e as pessoas que você encontra no dia a dia?
3. O que você pode fazer para viver de forma mais simples?

Aprendendo com as Fontes Franciscanas

Domingo de Ramos, 1212
Poucos dias antes do Domingo de Ramos, a jovem, de coração inflamado e decidida a mudar de vida, procurou o homem de Deus, para inquirir sobre a forma como devia proceder. O santo Pai ordenou-lhe que se apresentasse bem vestida e adornada e que participasse com o povo na cerimônia de ramos e que na noite seguinte deixasse a cidade (cf. Heb 13, 13), transformando as alegrias mundanas em luto pela Paixão do Senhor (cf. Tig 4, 9).
Chegado o Domingo, Clara, sobressaindo pelo aspecto festivo, dirigiu-se com os demais para a igreja. Ali, algo de muito significativo aconteceu. Na altura da distribuição dos ramos, Clara ficou modestamente retraída, no seu lugar. Foi o próprio Bispo que, descendo os degraus, lhe fez a entrega pessoal do ramo.
Na noite seguinte, obedecendo às ordens do santo, empreendeu a saída tão desejada em companhia de pessoas de sua confiança. Não lhe parecendo prudente usar a saída do costume, optou por outra, abrindo com as próprias mãos e com uma força de que ela mesma se admirava, uma porta que há muito tempo estava obstruída com madeira e pedras.
Desta maneira deixou a casa, a cidade e os familiares e apressou-se a ir para Santa Maria da Porciúncula. Os irmãos, que à volta do altar celebravam as sagradas vigílias, receberam a virgem Clara com tochas acesas. Ali se libertou da imundície da Babilônia (Dt 24, 1) e repudiou tudo o que era mundano. Renunciando a todos os adornos, consentiu que os irmãos lhe cortassem os cabelos.
Não havia lugar mais adequado para testemunhar o nascimento desta Ordem de florescente virgindade, que esta igrejinha dedicada àquela que é a primeira e mais digna entre todas as mulheres, Mãe e Virgem ao mesmo tempo. Foi neste lugar que, sob a égide de Francisco, teve início a nova família dos pobres. Ficou assim manifesto que ambas as Ordens quiseram começar à sombra da proteção da Mãe de misericórdia.
Depois de Clara ter recebido perante o altar de Nossa Senhora as insígnias da santa penitência e de ter desposado Cristo como humilde serva, Francisco levou-a para a Igreja de São Paulo, onde deveria ficar até que o Altíssimo dispusesse doutra maneira.
*Celano, Legenda de Santa Clara de Assis (LCL), 7-8

O Privilégio da Pobreza
Querendo que a pobreza fosse timbre da Ordem, pediu ao Papa Inocêncio III, de santa memória, o Privilégio da Pobreza.Este homem venerável congratulou-se com o fervor de Clara. Mas advertiu-a de que o propósito era singular e que nunca tal privilégio fora solicitado à Santa Sé. E como tão insólito pedido exigia um não menos insólito favor, o mesmo Papa, pelo próprio punho, escreveu com grande alegria o primeiro esboço do privilégio pretendido.
O Papa Gregório, de santa memória, também ele um homem digno do trono papal e muito venerado pelos seus méritos, tinha ainda mais consideração e afeto por esta santa. Prevendo eventuais circunstâncias e os perigos do tempo, tentou persuadi-la a aceitar a posse de alguma propriedade que ele mesmo lhe oferecia. Mas Clara opôs-se sempre radicalmente e nunca cedeu minimamente a tais pretensões. Perante tal relutância, o Santo Padre explicou-lhe: “Se temes pelo voto, nós dispensamos-te dele”. Mas ela respondeu: “Santíssimo Padre, por nenhum preço quero ser dispensada de viver o seguimento de Cristo por todo o sempre.”
*Celano, Legenda de Santa Clara de Assis (LCL), 14

Admoesto e exorto no Senhor Jesus Cristo a todas as minhas irmãs, presentes e futuras, que se esforcem por seguir sempre o caminho da santa simplicidade, humildade e pobreza e que levem uma vida santa, como nos ensinou o Pai São Francisco no princípio da nossa conversão. *Testamento de Santa Clara (TCL) 56-57
Se for achada idônea, diga-se-lhe a palavra do Santo Evangelho que diz que vá e venda todas as suas coisas e as reparta pelos pobres (Mt 19, 21). Mas se não o puder fazer, basta-lhe a boa vontade.
*Regra de Santa Clara (RCL) 2.4, vv. 8-9.

Modelos de Oração 


Uma Benção de Santa Clara
Mantém-te firme no que já alcançaste;
sê constante no que fazes;
não desanimes no caminho,
corre veloz,
com passo leve e sem tropeçar;
que nem a teus pés o pó se apegue;
avança segura,
alegre e jovial,
no caminho da felicidade,
não acredites nem confies
em quem te tentar desviar deste propósito;
ultrapassa todo o obstáculo do caminho, e sê fiel ao Altíssimo (cf. Sl 150, 14)
no estado de perfeição
a que te chamou o Espírito Santo.
*Segunda Carta de Santa Clara a Santa Inês de Praga (2CCL),11-14

Método de Oração de Santa Clara
Como virgem pobre, abraça a Cristo pobre.Contempla-O desprezado por teu amor e segue-O tornando-te desprezível por Ele neste mundo.Contempla, nobre rainha, o teu Esposo. Sendo o mais belo dos filhos dos homens ( cf. Sl 44, 3), transformou-se, para tua salvação, no mais desprezível dos mortais. Morreu na Cruz, no meio dos maiores sofrimentos, golpeado e vezes sem conta açoitado em todo o corpo. Olha, considera e contempla e que o teu coração se inflame na sua imitação.
*Segunda Carta de Santa Clara a Santa Inês de Praga (2CCL), 18-20

Uma Leitura dos Princípios
Dia Doze – O Terceiro Propósito (continuação)
Os gastos pessoais são limitados ao que é necessário para sua manutenção da saúde e bem estar, assim como a de seus dependentes. Eles aspiram a se colocar livres de toda dependência da riqueza, mantendo-se sempre cônscios da existência da pobreza no mundo e de seu envolvimento responsável de cada um deles nessa condição de penúria. Os terciários e as terciárias estão mais preocupados com a generosidade que tudo dá, do que com o valor da pobreza em si. Dessa forma eles refletem em espírito a aceitação do desafio de Jesus a vender tudo, dar tudo aos pobres e segui-lo.

Explorando mais a fundo:

Uma breve cronologia
1194 - Nasce Clara, a filha mais velha de Hortulana e Bernardino, família nobre.
1212 - Domingo de Ramos, Clara é recebida na Porciúncula por São Francisco e os frades.
1216 - Clara recebe o "privilégio da pobreza" do Papa Inocêncio III.
1224 - Começa longo período de má saúde que dura pelo resto da vida.
1240 - Clara defende a cidade de Assis contra os Sarracenos.
1253 - A Regra da comunidade é aprovada pelo Papa Inocêncio. Falece Clara.
1255 - Clara é canonizada pelo Papa Alexandre IV.

O privilégio da pobreza
O frade franciscano católico Romano, Daniel P. Horan, diz que a pobreza franciscana tem a ver com relacionamentos. Ele descreve três tipos de pobreza:
Pobreza material ou abjeta - falta forçada de necessidades humanas básicas.Isto NÃO é pobreza do evangelho, é mau e sempre deve ser protestado.
Espiritual - isso vem do pensamento dicotômico, especialmente quando o espiritual eo material estão separados. O evangelho fica desconectadoda vida diária e não é desejável.
Evangélico - o Caminho Franciscano. A pobreza não é a meta que buscamos, mas sim o meio para um coração aberto e compassivo. Através da pobreza evangélica, entregamos essas coisas (materiais, intelectuais, teológicas, etc.) que interferem com o nosso relacionamento com Deus e com os outros.
Portanto, a pobreza evangélica nos chama a:
1. Viver nossos votos batismais.
2. Render o que é necessário para quebrar barreiras aos relacionamentos, para que possamos viver em solidariedade uns com os outros.
3. Protestar contra estruturas de injustiça.
Clara, como Francisco, sempre colocou o evangelho primeiro. Isso permitiu que a misericórdia de Deus ea minoria do self moldassem sua visão do mundo. O privilégio da pobreza tinha a ver menos com posses materiais e mais com andar o caminho da misericórdia e vulnerabilidade.

Um Modelo de Oração
Em suas cartas a Agnes, Clara nos dá um caminho para seguir a Cristo usando um método de 4 passos de oração visual: olhar, considerar, contemplar, imitar.

Experimenta:
Olhar: Encontre um objeto de atenção - pode ser algo material, como uma cruz, um ícone ou uma flor; Ou pode ser algo em sua imaginação, uma imagem de Jesus andando ou de Deus segurando você ou de um lugar pacífico na natureza. Concentre-se no objeto, permita-se tornar-se quieto, inalar/exalar. Quando seu olhar vagueia para outros pensamentos, gentilmente traga-o de volta ao seu objeto de atenção sem julgamento.
Considerar: Observe seus pensamentos e sentimentos enquanto olha para o seu objeto. O que lhe parece interessante? O que está acontecendo, ou não acontece nada? Que sentimento está surgindo? O que de Deus você está sentindo? Você está enfrentando um desafio ou uma chamada? Se não sente nada, lembre que está bem. Deus vem na voz mansa, pequena.
Contemplar: Retorne à sua respiração e ao objeto de sua atenção. Permita que a curiosidade do passo 2 ceda lugar à quietude. Em vez disso, basta assistir a tudo o que surgiu sem controlar ou aferrar-se nele. Se o passo 2 foi ativo, este passo é receptivo, simplesmente estando presente à respiração, ao que você já experimentou, estar com Deus.
Imitar: Quando estiver pronto, dê graças por este tempo com Deus. Pergunte que pista você ganhou para seguir mais claramente a Jesus - raramente nós experimentamos um grande insight, geralmente descobrimos o menor dica, um fio finíssimo que pode parecer insignificante, mas seja o que fosse, basta, é transformador. Finalmente, tome algumas respirações profundas e encerra seu tempo de oração. Deixe o momento com a intenção de ir a imitar o Cristo.

Para Reflexão:

Ver de novo as passagens das Fontes sobre Clara apresentadas nesta lição.
❖Domingo de Ramos 1211
❖O privilégio da pobreza
❖Modelos de Oração
1. Imagine Clare na noite em que deixou sua família para se juntar à família franciscana. O que ela foi forçada a render? Você seria tão ousado? De que você precisa renunciar para abraçar melhor a vocação franciscana?
2. Quais são algumas das coisas, idéias e/ou atividades em sua vida que são, ou poderiam ser, uma barreira entre você e seu relacionamento
a. Com Deus?
b. com outros?
c. com você mesmo?
3. Praticar o método de 4 passos de oração visual identificado por Clara. Que insight ou sentimento você teve? Como poderia ajudá-lo no seu caminho para seguir a Jesus? Compartilhe sua experiência com seu companheiro espiritual.

Ação ministerial
A espiritualidade de Clara é bem captada na oração de São Ricardo, Bispo de Chichester (1197-1253), popularizada no Opera Rock Godspell (1971) com a música "Day by Day" cantada por Maria de Magdala:
Dia trás dia, dia trás dia,

Caro Senhor, de ti três coisas eu peço:
Verte mas claramente,
Amar-te mas sinceramente
Seguir-te mas de cerca,
Dia trás dia.

Que ação concreta você pode abraçar em sua regra pessoal que o ajudará a aprofundar seus relacionamentos praticando a pobreza evangélica e seguindo Jesus mais de perto?

Mais leitura - só se sentir chamado
(Ser Franciscano NÃO é ler mais livros!)

Online:
http://www.editorialfranciscana.org/portal/index.php?id=5655
Escritos, documentos biográficos, Privilégio da Pobreza

Livros:
Frei Dorvalino Francisco Fassini, OFM et al., Fontes Franciscanas (São Paulo: Santo André, 2005)
Agamben, Giorgio. Altíssima Pobreza. Tradução de Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo Editorial, 2014, 220 páginas.
Para quem quer aprofundar a temática da pobreza franciscana, o melhor é o terceiro capítulo do livro.

Pensando para frente:
Na próxima lição consideraremos os seguidores de São Francisco e Santa Clara. Você pode nomear franciscanos que foram testemunhas de Cristo e de São Francisco e Santa Clara nos últimos 800 anos?


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Notas de Formação – Lição 4

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 4 
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Notas de Formação
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco (TSSF)
Região do Brasil
A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário.

Lição 4: São Francisco: sua vida e Dom para a Igreja

O que há neste estudo?
Exploramos a vida de São Francisco de Assis para verificar os principais dons que Francisco deu à Igreja e para identificar como esses dons podem ser relevantes para nossas vidas como terciários.

Começando a explorar
1.Do que você já sabe sobre São Francisco, quais aspectos de seu caráter e vida atraem você?
2. Se você sabe pouco sobre São Francisco, que coisa única você gostaria de aprender sobre ele?
3.Os santos são pessoas apresentadas para nós como exemplos de como viver como cristãos ou como desafios à maneira como vivemos agora. De que maneira São Francisco pode ser seu exemplo? De que maneira São Francisco poderia desafiá-lo?
Aprendendo com as Fontes Franciscanas

Francisco e o Crucifixo
Poucos dias depois, ao passar perto da igreja de São Damião, uma voz interior impeliu-o a entrar e orar. Tendo entrado, começou a rezar com fervor diante da imagem de Cristo Crucificado, a qual lhe falou com doçura e benevolência: «Francisco, não vês que a minha casa cai em ruínas? Vai e repara-ma». A tremer e cheio de assombro, respondeu: «Vou fazê-lo prontamente, Senhor». Compreendeu tratar-se da igreja de São Damião, com muitos sinais de velhice, que faziam prever ruína próxima. As palavras divinas encheram-no de alegria e a sua alma iluminou-se de viva luz: ficou plenamente convencido que foi Jesus Crucificado que lhe dirigiu aquele apelo.
À saída da igreja, encontrou um padre sentado junto da porta. Metendo a mão na bolsa, ofereceu-lhe dinheiro e disse-lhe: “Peco-lhe, senhor, que compre azeite para fazer arder, sem interrupção, uma lâmpada diante deste Crucifixo; quando tiver gasto esta soma, dar-lhe-ei o que for preciso” (Legenda dos Três Companheiros V.13).

Oração de São Francisco diante o Crucifixo:
Altíssimo e glorioso Deus, ilumina a escuridão de nossos corações e dá-nos uma fé verdadeira, uma esperança certa, um amor perfeito e uma humildade profunda. Dá-nos um sentido do divino e conhecimento de ti mesmo, para que possamos fazer tudo em cumprimento de tua santa vontade; Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Francisco e o Leproso
Francisco passeava um dia a cavalo, não longe de Assis, quando se encontrou com um leproso. Ordinariamente a vista da lepra causava-lhe calafrios. Nesta ocasião ele fez violência a si mesmo: desceu do cavalo, ofereceu uma esmola ao leproso e beijou-lhe a mão; recebido do leproso o beijo da paz, montou de novo e seguiu o seu caminho. ... Poucos dias depois, tomando consigo bastante dinheiro, foi ao hospital dos leprosos. Reunidos todos, deu esmola a cada um, beijando-lhe a mão; saindo dali, reconheceu a verdade da promessa divina: o que outrora lhe era amargo, ou seja, a vista e o contato dos leprosos, converteu-se em doçura. De facto, a vista dos leprosos era-lhe antes tão irritante, que não só não os queria ver como não consentia em se aproximar do lugar em que habitavam. (Legenda dos Três Companheiros, IV.11)

Oração: Senhor Deus, vieste entre nós como servo. Enche-nos com a tua humildade, para que possamos, como Francisco nosso irmão, esquecer-nos em amor por ti e em compaixão pelos outros; E que nos solitários, nos rejeitados, nos perdidos, nos privados e nos presos, encontremos a Cristo nosso Senhor. Amem.

Francisco e os primeiros membros da Terceira Ordem:
Luchesio e Buonadonna (1260) Casal da Ordem Terceira
Luchesio e sua esposa, Buonadonna, queriam seguir São Francisco como um casal. Este desejo animou Francisco a começar a Ordem Terceira. Luchesio era originalmente um comerciante ganancioso em Poggibonzi; mas sua vida mudou depois que ele conheceu Francisco por volta de 1213, quando ele começou a executar muitos atos de caridade. Inicialmente sua esposa não ficou muito entusiasmada com esta mudança de comportamento, mas ela logo se tornou zelosa com a vida pobre e simples que o seu marido estava vivendo. Ele e sua esposa venderam o seu negócio, cultivaram bastante terra para prover as suas necessidades e distribuíram o resto aos pobres. Luchesio e sua esposa queriam algo mais: um modo de compartilhar uma vida religiosa permanecendo fora do claustro. Conhecendo seus desejos como também seus próprios planos de uma ordem para pessoas leigas, Francisco estabeleceu a Ordem Terceira (então conhecido como a Ordem dos Penitentes) e o Papa Honorius III aprovou uma Regra formalmente formulada em 1221. Celebramos sua festa em 28 de Abril. 
(Companheira Devocional de TSSF Brasil, p. 226)

Coleta: Amado Senhor Jesus, graças por abençoares todos os caminhos da vida e permitir que tanto leigos como professos, casados ou solteiros, encontrem um caminho consagrado contigo no meio dos seus próprios desafios, deveres e alegrias terrenos. Concede a nós, que vivemos no mundo secular, a graça de nos lembrarmos de que cuidamos de ti quando cuidamos de nossos irmãos e irmãs. Amém.

Uma Leitura de os Princípios
Dia Trinta – As Três Notas
A humildade, o amor e a alegria que marcam as vidas dos terciários e das terciárias são todas elas graças dadas por Deus. Elas não podem ser conseguidas pelo esforço humano. Elas são dádivas do Espírito Santo. O propósito de Cristo é operar milagres através daquelas pessoas que almejam se esvaziar e se entregar a Ele. Nós nos tornamos, então, canais de graça através dos quais a obra poderosa de Cristo se realiza. 


Para Reflexão:
Olha novamente para as histórias acima. Pensa nas perguntas abaixo, prestes para discuti-las com teu Companheiro Espiritual.
-Francisco e o crucifixo.
-Francisco e o leproso.
-Francisco e os primeiros membros da Terceira Ordem.

1. Como cada história se conecta com tua vocação franciscana?
2. Como Deus fala com os indivíduos hoje?
3. Quem são os leprosos em tua vida?

Explorando mais a fundo:

Uma breve cronologia:
1182: Francisco nasce em Assis.
1193: Clara nasce em Assis.
1202: Francisco é prisioneiro de guerra em Perugia.
1204: Francisco sofre uma longa doença.
1205: O crucifixo de San Damiano fala a Francisco, dizendo-lhe para reparar a igreja.
1206: Julgamento diante do bispo, e Francisco renuncia ao seu pai.
1208: Um número de companheiros se junta a Francis.
1209: Papa Inocêncio III aprova a Regra de Francisco.
1211: Clara é recebido na Porciúncula.
1213-1215: Francis vai para a Espanha.
1219: Viagem missionária ao Egito. Francisco recebe audiência do sultão.
1220: Primeiros mártires franciscanos mortos em Marrocos.
1221: Regra da Terceira Ordem aprovada pelo Papa Honório III.
1223: Francisco estabelece o primeiro berço de Natal.
1224: Os estigmas.
1226: Francisco morre na Porciúncula.
1228: Francisco é canonizado pelo Papa Gregório IX.
1253: Clara morre em San Damiano.
1255: Clara é canonizada pelo Papa Alexandre IV.

Ação ministerial
Com teu Companheiro Espiritual, identifica uma maneira pela qual você viverá tua obediência a Deus no próximo mês. Comprometer-se a fazer isso, e informar teu Companheiro Espiritual na sua próxima reunião / em sua próxima comunicação. 

Ato Penitencial: TOCANDO O LEPROSO (Viviane Gonçalves Noel)
A sineta de um leproso tocava. Ela avisava que alguém, banido do convívio com as pessoas, aproximava-se e que, ao mesmo tempo, implorava por uma esmola. Francisco, mais do que uma esmola, foi impelido a ir ao encontro desse irmão para abraçá-lo e beijá-lo. Nesse encontro, Francisco descobriu sua vocação e a verdadeira face de Cristo.

O que há nas entrelinhas da vida, do acaso, dos encontros?
O que há nas entrelinhas da dor, da rejeição, dos desencontros?
O que há nas entrelinhas da morte, da providência, do não querer?
O que há nas entrelinhas da felicidade, da conquista, 
do bem-querer?
O que há nas entrelinhas de sinetas que sinalizam atenção,
Senão a ignorância e a arrogância de cada coração?
O que há nas entrelinhas do medo, do comodismo, 
do nosso fechar as mãos,
Senão uma triste canção que nos impede de agirmos como irmãos?
Nas entrelinhas, há ou não dito que grita!
A bandeira da solidariedade que agita!
A presença não presente! A explicação que só o coração entende!
Porque, no fundo, o fundo, é só ele que sente!
Somos todos entrelaçados na grande teia da vida, 
como na poesia é cada verso!
O sofrimento de um é o padecimento de todo o universo!

Como enquadra isso com tua Regra?
Com teu Companheiro Espiritual, revisar tua Regra. À luz destas Notas e tuas conversas com teu Companheiro Espiritual, identificar qualquer mudança à tua Regra que poderias fazer.

Mais leitura - só se te sentires levado
(Ser Franciscano NÃO é ler mais livros!)

Online:
  • www.editorialfranciscana.org
  • www.franciscanos.org.br
  • http://www.franciscantradition.org (Inglês)
  • www.tssf.org

Livros: 
  • Frei Dorvalino Francisco Fassini, OFM et al., Fontes Franciscanas (São Paulo: Santo André, 2005)
  • Vauchez, André. Francisco de Assis: Entre a Memória e a História. Instituto Piaget; Edição:1ª (1 de janeiro de 2013), 432 páginas. (é excelente).
  • Frugoni, Chiara. Vida de um Homem: Francisco de Assis. Tradução de Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, 184 páginas. (é bom, especialmente para um iniciante que deseja conhecer um pouco da vida de Francisco e não tem muito tempo para ler). 
  • Moses, Paul. O Santo e o Sultão, 2010. 304 páginas.  (bom para quem quer ler sobre Francisco e os Muçulmanos).
  • Agamben, Giorgio. Altíssima Pobreza. Tradução de Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo Editorial, 2014, 220 páginas. (para quem quer aprofundar a temática da pobreza franciscana, o melhor é o terceiro capítulo do livro). 


O próximo estudo: Santa Clara e seu dom para a Igreja.

Notas de Formação – Lição 3

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 3. 
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Notas de Formação
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco (TSSF)
Região do Brasil
A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário.
Lição 3: 
As duas Regras: a Regra da TSSF, a Regra Pessoal de Vida

O que há neste estudo?
Exploraremos os componentes da Regra da Ordem e a Regra Pessoal. Como cada elemento é vital. E como todas estas partes juntas nos lembram que ser uma Franciscana da Terceira Ordem liga a caminhada de fé pessoal a uma vida em comunidade.
Para começar a explorar
1. Como uma Regra Pessoal de Vida afeta a vida diária?
2. O que é desafiador viver com uma Regra? Algumas partes são mais desafiadoras do que outras?
3.Quais são alguns benefícios de viver com uma Regra?

Aprendendo com as Fontes Franciscanas
Francisco escreve uma Regra simples e pede ao Papa que a aprove.
Vendo o bem-aventurado Francisco que o Senhor aumentava cada dia o seu número, escreveu para si e para seus irmãos, presentes e futuros, com simplicidade e com poucas palavras, uma forma e Regra de vida, sendo principalmente expressões do santo Evangelho, pois vivê-lo perfeitamente era seu único desejo. Acrescentou, contudo, algumas poucas coisas, absolutamente necessárias para o andamento da vida religiosa. Por esse motivo foi a Roma com todos os referidos irmãos, desejando ardentemente que o Papa Inocêncio III confirmasse o que tinha escrito. Achava-se naquela ocasião em Roma o venerável bispo de Assis, Guido, que estimava muito São Francisco e todos os seus irmãos, e os venerava com particular afeto. Vendo ali São Francisco e seus Irmãos, e. desconhecendo o motivo, não gostou. Temia que quisessem abandonar sua terra, onde o Senhor já começara a fazer grandes coisas por meio de seus servidores. Gostava muito de ter esses homens de valor em sua diocese e esperava muito de sua vida e seus bons costumes. Mas quando soube a causa e compreendeu o verdadeiro motivo, alegrou-se muito no Senhor e lhes prometeu seu apoio e influência.
Tomás de Celano, Primeira vida, Cap. 13, par. 32

Sobre a necessidade de ser unido ao Espírito Santo
E todos aqueles e aquelas, enquanto assim fizerem e se perseverarem até o fim, repousará sobre eles o espírito do Senhor e neles fará habitação e morada. Assim serão filhos do Pai celeste, cujas obras fazem. E são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando no Espírito Santo, a alma fiel se une a Jesus Cristo. Somos irmãos, quando fazemos a vontade do seu Pai que está no Céu. Somos mães, quando O levamos no coração e em nosso corpo por amor e com consciência pura e sincera; geramo-Lo por santa operação que deve luzir em exemplo para os outros. 
São Francisco, Segunda Carta aos Fiéis 48-53

Bênção de Santa Clara para sua alma
Ao recebê-la, Santa Clara beijou a Regra e abençoou-se com estas palavras para sua própria alma: "Vai segura, porque tens uma boa escolta para a viagem. Vai, porque aquele que te criou também te santificou, e, custodiando-te sempre, como mãe a um filho, amou-te com terno amor."
Tomás de Celano, Legenda de Santa Clara de Assis, 46

Uma Leitura dos Princípios
Dia Treze: As Três Formas de Serviço
As terciárias desejam estar à imagem de Jesus Cristo, a quem nós servimos de três formas: pela Oração, pelo Estudo e pelo Trabalho. Na vida da Ordem como um todo essas três formas devem encontrar uma expressão plena e equilibrada, mas não se espera que todos os membros respondam da mesma maneira a cada uma delas. Cada maneira individual de servir varia de acordo com as habilidades e circunstâncias, mas a regra de vida pessoal do membro inclui todas as três formas de serviço.

Explorando mais profundamente:
O que é a Regra da Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco?
A Regra da TSSF é compartilhada entre as terciárias e terciários pelo mundo inteiro. Há 5 províncias: Província Americana que inclui América do Norte, Sul e Central e a Índia Ocidental; Província Europeia, que inclui a Inglaterra e o resto da Europa mais Hong Kong; Província Ásia-Pacifica; Província do Pacifico; e Província Africana. Todos observam a Regra.
Conforme a Constituição da TSSF, seção 1.1.c, a Regra da Terceira Ordem consiste de três elementos: (1) Os Princípios, (2) As Constituições da SSF e TSSF, e (3) A Ordem para Admissões e Renovações.

Os Princípios capturam o etos do que a Ordem deve ser. Eles tem aquelas qualidades franciscanas às quais nos esforçamos conformar nossas vidas. Os Princípios incluem a Obediência Comunitária, uma oração curta e simples que nos lembra diariamente nosso compromisso pessoal á Ordem mundial. Nos lembra que nossa vida em comunidade é compartilhada com pessoas da mesma espiritualidade, embora com perspectivas diversas. 

As Constituições da SSF e TSSF definem a forma e prática da Terceira Ordem em reposta aos Princípios. Elas contém itens de interesse histórico e de procedimento. A Constituição da TSSF acrescenta uma Regra Pessoal de Vida.

A Ordem para Admissões e Renovações representa o laço individual à comunidade mais ampla.

A Regra da Terceira Ordem é a base da nossa vida em comunidade e é a expressão de nossa herança e visão da vida franciscana (cf. Const.1.1.d).


O que é a Regra Pessoal de Vida?
A Regra Pessoal de Vida é exigida e definida na Constituição da TSSF, tornando a Regra Pessoal um elemento constitutivo da Regra da Ordem. É o aspecto pessoal dentro dos marcadores comunais. A Constituição diz:
a) Cada membro da Terceira Ordem deve ter e manter uma Regra Pessoal de Vida.
b) O propósito da Regra Pessoal de Vida é interpretar e expressar os Princípios nas circunstâncias particulares da vida de cada Terciário.
c) A Regra Pessoal de Vida deve ser feita de acordo com os Estatutos da Província, levando em consideração os dons pessoais e qualidades de cada Terciário como também os outros deveres e responsabilidades que cada um pode ter.
d) A Regra Pessoal de Vida regularmente incluirá algum compromisso, claramente declarado, em cada uma das seguintes áreas: 1) Santa Eucaristia, 2) Penitência, 3) Oração Pessoal, 4) Autonegação, 5) Retiro, 6) Estudo, 7) Simplicidade, 8) Trabalho, 9) Obediência.
e) Como sinal do seu compromisso e renovação, os membros da Terceira Ordem renovarão o seu compromisso anualmente para viver de acordo com os Princípios tal como estes são expressados na sua Regra Pessoal de Vida.
f) A renovação anual é exigida como salvaguarda contra a membresia nominal e para dar oportunidade para que a Regra Pessoal de Vida seja revista, se for preciso.

Portanto, a Regra Pessoal de Vida está sujeita aos 3 marcadores da Regra da Ordem:
Interpreta os Princípios para aplicação pessoal.
É ordenada pela Constituição.
É renovada anualmente usando a Ordem de Admissões e Renovações.


Sua regra pessoal: um formulário no qual padronizar sua vida
A Regra Pessoal é uma oferta de amor a Deus. Ela apresenta uma métrica para modelar nossas vidas. É um meio que nos ajuda a viver como queremos viver: como seguidores de Jesus no Espírito de São Francisco e Santa Clara. Uma regra destina-se a orientar, estabilizar e crescer nossa jornada em Cristo. Uma regra mantém a pessoa apontada na direção certa, especialmente quando estressada, ou árida, ou não particularmente animada. Uma regra é um esboço do que um indivíduo se propõe fazer diária, semanal, mensal e anualmente.
Uma das tarefas da formação é ajudar o postulante ou noviço a aprender a escrever e viver uma Regra Francisclariana individual. O conteúdo de uma regra pessoal variará em ênfase com cada pessoa. Nós não temos uma única regra para todos. Temos o esboço básico de nove áreas que cada pessoa deve adaptar de forma concreta e específica às circunstâncias individuais e temperamento. Ao escrever uma regra, estabelecemos metas que podemos alcançar, metas que não são idealistas, mas sim razoáveis para que possamos realmente viver elas. Em todos os casos, a Regra nunca deve ser um fim em si mesma, mas sim uma ferramenta adaptada ao indivíduo que oferecerá um meio de formar uma vida holística equilibrada.
O que desejamos é buscar a alegria de servir a Jesus na Comunhão, na partilha do pão, na oração pessoal e comunitária, no estudo, no serviço ao próximo mais pobre, no respeito ao planeta e aos recursos naturais. Construir uma Comunidade Franciscana é fazer irmãos e irmãs que estejam neste mesmo espírito. A Regra é uma forma de nos tornarmos melhores para participar da nossa comunidade: esta sim se constitui como sinal salvífico (Sacramento) da presença do Senhor no mundo. 

A Regra
- chama-nos à liberdade, para abrir-nos alegremente ao novo; Nunca é rígida ou legalista.
-celebra que somos imperfeitos e sempre em necessidade de crescimento e formação.
- reflete quem somos individualmente e quem nos estamos tornando como francisclarianos com o objetivo de viver o Evangelho.
- cabe-nos sem ser tão apertada que nos torna desconfortável nem tão solta que é sem sentido.
- deve ser revista e alterada regularmente para refletir o crescimento e as circunstâncias em mudança.
- inclui as 9 áreas listadas na Constituição da TSSF enquanto reflete nossas circunstâncias particulares.
Convida o Espírito Santo para trabalhar em e através de nossas vidas.

A Regra da Terceira Ordem (Os Princípios, as Constituições, a Ordem para Admissões) em conjunto com a Regra Pessoal de Vida, são o foco do compromisso e renovação para todos os terciários (Const. 1.1.e).

Como obter os documentos: Todos os documentos estão na Companheira Devocional.
Os Princípios começam na página 12.
As Constituições começam na página 27.
A Ordem de Admissões e Renovações começam na página 125.
O Padrão para escrever a Regra Pessoal de Vida começa na página 41.
Você pode encontrar a Regra da TSSF no site www.tssf.org na seção espanhol e português.

Para Reflexão:
1.Sua regra é uma fonte de alimento espiritual? Se sim, explique como. Se não, o que precisa acontecer para torná-lo mais nutritivo?
2. Explique as áreas em sua vida onde você notou o crescimento no Espírito e desenvolveu novas maneiras de ver e ser desde a adoção de uma regra de vida.
3. Disciplina é um afinar interior do coração. Como sua vida reflete um afinar interior em direção a Cristo e à vida centrada no Evangelho?

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Notas de Formação – Lição 2

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 2. 
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Notas de Formação – Lição 2
O Companheiro Espiritual
O que há neste estudo?
Exploraremos como o ideal francisclariano é alcançado apenas em comunidade e com o apoio de uma companheira espiritual, alguém que se identifique com a sua vocação, que não o julgue pelas suas lutas e o encoraje ao longo do caminho.

Para começar a explorar
1.Você tem atualmente um companheiro espiritual? Caso afirmativo, dar um exemplo de algo que ele ou ela ajudou você a entender, algo que a oração ou o estudo sozinho não iluminaram completamente. Caso que não, você vai buscar logo?
2. O que você espera do relacionamento com sua companheira espiritual?
3. Santo Aelred disse: "Aquele que permanece na 'amizade' permanece em Deus, e Deus nele" (1 João 4:16 parafraseado). Como pode manter o seu relacionamento centrado em Cristo?

Aprendendo com as Fontes Franciscanas
Da Forma de Vida
E depois que o Senhor me deu Irmãos, ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o próprio Altíssimo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho.
Testamento
Da Correção
Bem-aventurado o servo que suporta advertência, acusação e repreensão de outro tão pacientemente como de si mesmo. Bem-aventurado o servo que, na repreensão, benignamente aquiesce, com reverência obedece, com humildade se confessa e da boa vontade a satisfaz.
As Admoestações de São Francisco, 22

Como S. Francisco recebeu o conselho de S. Clara e do Frei Silvestre
O humilde servo de Cristo S. Francisco, pouco tempo depois de sua conversão, tendo já reunido e recebido na Ordem muitos companheiros, entrou a pensar muito e ficou em dúvida sobre o que devia fazer, se somente entregar-se à oração, ou bem a pregar algumas vezes: e sobre isso desejava muito saber a vontade de Deus.
E porque a humildade que tinha não o deixava presumir de si nem de suas orações, pensou de conhecer a vontade divina por meio das orações dos outros.
Pelo que chamou Frei Masseo e disse-lhe assim: "Vai a Soror Clara e dize-lhe da minha parte que ela com algumas das mais espirituais companheiras rogue devotadamente a Deus seja de seu agrado mostrar-me o que mais me convém: se me dedicar à pregação ou somente à oração. E depois vai a Frei Silvestre e dize-lhe o mesmo".
Foi Frei Masseo, e conforme a ordem de S. Francisco, deu conta da embaixada primeiramente a S. Clara e depois a Frei Silvestre. O qual, logo que a recebeu, imediatamente se pôs em oração e, rezando, obteve a resposta divina, e voltou a Frei Masseo e disse-lhe assim: "Isto disse Deus para dizeres ao irmão Francisco: que Deus não o chamou a este estado somente para si; mas para que ele obtenha fruto das almas e que muitos por ele sejam salvos".

Obtida esta resposta, Frei Masseo voltou a S. Clara para saber o que ela tinha conseguido de Deus; e respondeu que ela e outra companheira tinham obtido de Deus a mesma resposta que tivera Frei Silvestre. Com isto tornou Frei Masseo a S. Francisco; e S. Francisco o recebeu com
grandíssima caridade e perguntou-lhe: "Que é que ordena que eu faça o meu Senhor Jesus Cristo?" Respondeu Frei Masseo: "Tanto a Frei Silvestre como a Soror Clara e à irmã, Cristo respondeu e revelou que sua vontade é que vás pelo mundo a pregar, porque ele não te escolheu para ti somente, mas ainda para a salvação dos outros".
E então S. Francisco, ouvindo aquela resposta e conhecendo por ela a vontade de Cristo, levantou-se com grandíssimo fervor e disse: "Vamos em nome de Deus".
Florezinhas 16

Uma Leitura de os Princípios
Dia Vinte e Seis – A Segunda Nota (continuação)
Portanto, nós ansiamos por amar a todos a quem estão ligados por laços de família ou amizade. Seu amor por eles e elas se desenvolve à medida que seu amor por Cristo se aprofunda.
Nós temos um amor e uma afeição especiais para com os demais membros da erceira Ordem, orando uns pelos outros individualmente e buscando crescer nesse amor. Nós estamos de guarda contra qualquer coisa que possa prejudicar este amor, e nós procuramos a reconciliação com aqueles de quem nós estamos separados. Nós buscamos ter o mesmo amor para com aqueles com quem temos pouca afinidade natural, pois este tipo de amor não se firma na emoção, mas é um elo firmado em sua própria união comum com Cristo.

Explorando mais profundamente: O Companheirismo Espiritual
Por que você precisa de uma Companheira Espiritual?
Para seguir Jesus, praticar uma disciplina Francisclariana, amar a Deus e a nossos vizinhos cordialmente, precisamos de um apoio, de um amigo, de restaurador de perspectiva, em resumo, de um guia.
O companheirismo espiritual tem que envolver toda nossa vida: nossas relações em nossas famílias e comunidades como também nossas relações com Deus em oração e ação. Uma companheira espiritual nos ajuda a nos ver como Deus nos vê, com nosso potencial ou forças e fraquezas, e a vermos o mundo e nossos irmãos e irmãs como Deus os vê, com necessidades físicas e espirituais.
Para companheiro, escolha alguém com quem você pode se encontrar regularmente, e que pode ser objetivo com você. Escolha alguém cujas sugestões você considerará seriamente quando elas conflitarem com as suas próprias. Lembre-se de que há muitos homens e mulheres leigos pensadores e devotos que podem servir como Companheiros Espirituais; eles não precisam ser clérigos. Sua companheira precisa saber o que você está tentando fazer e que ferramentas espirituais você usa na tarefa. Ele ou ela também precisa saber sua situação de vida, que demandas você tem e quais suas responsabilidades.

Um Companheiro Espiritual é alguém que é:
um apoio e companheira no caminho.
às vezes uma caixa de ressonância.
às vezes um catalisador, acelerando ou reduzindo a velocidade de reações, ajudando a nos transformar na pessoa que Deus quer que sejamos.
às vezes um guia, nos dirigindo pela névoa de nossas emoções, de nossa depressão, de nossa visão.
às vezes uma pedra de toque que testa nossas motivações ou intenções.
às vezes uma força que nos acalma, restabelecendo nosso equilíbrio quando problemas pessoais ou simplesmente a loucura de um mundo materialista transtorna nosso equilíbrio.

Ao escolher um Companheiro Espiritual, lembre-se de que ele ou ela:
● tem que entender seu compromisso com um Cristianismo radical do modo franciscano, uma vida de oração, disciplina, estudo e trabalho que produz humildade, amor e alegria.
● tem que ter humildade para ouvir e responder; é capaz de ouvir além do que as palavras dizem sem julgamento; não é autócrata.
● tem que ter conhecimento de si mesmo e seu próprio espírito; tem prática pessoal de oração.
● tem reverência para todas as criaturas de Deus e deseja o bem-estar delas e de você.
● tem disciplina de si mesmo e sabe respeitar fronteiras pessoais.

Com que frequência vocês devem se reunir?
Normalmente, uma vez cada mês, mas depende das circunstâncias individuais, trimestralmente pode ser suficiente. Confirmar com seu diretor de formação e sua companheira espiritual o que funciona o melhor para você e sua desenvolvimento no caminho francisclariano. A meta é manter uma relação aberta e saudável com o companheiro espiritual. Se você perceber que está demorando para se reunir com sua companheira espiritual, pergunte-se porquê.

Para Reflexão:
1. Agora, como você vê o relacionamento com sua companheira espiritual?
Que insight você ganhou ao estudar esta lição?
2. O que mais anima você em relação à seu companheiro espiritual? O que mais desafia você?
3. O que as seguintes palavras do cisterciense Thomas Merton significam para você? "O guia espiritual vale o seu sal se conduzir uma campanha determinada contra todas as formas de ilusão que se levantam da ambição espiritual e da autocomplacência que apontam para estabelecer o ego em glória espiritual." (Zen e os Pássaros do Desejo)

Notas para sua Companheira Espiritual
Conforme com a Constituição da TSSF, seção 4.1.a: Cada membro da Terceira Ordem deve ter um Companheiro Espiritual, que normalmente tem a seu vez o seu próprio Companheira Espiritual e aceita os ‘Princípios’ como a base da direção.
Os Companheiros Espirituais de terciário/as podem ter treinamento formal e longa experiência em direção ou nenhuma; eles podem ser clérigos, membros de ordens religiosas ou leigos. Onde quer que você esteja no largo espectro da direção, agradecemos sua vontade de ajudar. Sem companheirismo, todos corremos risco da autodesilusão e caímos na vala da jornada espiritual. Não há nada tão importante para nossa saúde espiritual como uma boa Companheira Espiritual. (De Um Guia Franciscano para Diretor Espiritual, TSSF, Província das Américas, Rev. Robert Goode, 1991. Revisado de 2000.)

Fundamentos para o Companheiro Espiritual se lembrar:
O companheirismo espiritual não é igual ao aconselhamento pastoral. Serve para ajudar um indivíduo a reconhecer e desenvolver uma relação pessoal mais profunda com Deus.
● Tudo o que é dito durante a companheirismo é confidencial e não deve ser compartilhado fora da relação.
● Manter o tempo com seu formando focalizado na direção mais do que em uma conversação casual é especialmente importante se seu dirigido também for seu amigo. Fixar e manter um tempo específico para começar e terminar o encontro e manter isto pode ajudar em guardar à parte o tempo social. (Uma hora normalmente é o mais correto.)
● Tudo na vida de seu formando refletirá sua relação com Deus. A vida religiosa de uma pessoa não é algo que possa ser separado da sua vida do dia-a-dia. Em geral, se as relações pessoais da pessoa estão fora de controle, assim será a relação da pessoa com Deus.
● Comece fazendo algumas perguntas. Como seu formando veio a procurar companheirismo espiritual? Como é a sua vida de oração? O que espera o seu formando da relação de direção? (Quais são suas próprias expectativas?)
● Você não tem que compartilhar a mesma espiritualidade para dirigir alguém, mas, se você se acha incapaz de se relacionar com a pessoa ou se sente incômodo, você pode sugerir que a pessoa procure outra companheira.
● Às vezes, o que não é dito é mais revelador do que o que é dito. Esteja atento quando assuntos estiverem sendo evitados, e não tenha nenhum medo de fazer perguntas pertinentes.
● Começar a sessão com uma oração ou alguns minutos de reflexão silenciosa pode ajudar estabelecer o foco.
● Tente fazer mais escutando do que falando. Compartilhar suas próprias experiências às vezes pode ser útil, mas pode se mostrar intimidante. Isso é algo que você terá que discernir por si mesmo.

* Em breve será publicada a Lição 3