quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Notas de Formação - Lição 11

Notas de Formação
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco de Assis (TSSF)
Região do Brasil - TSSF Brasil

A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário.

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 11
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Lição 11:
Personalizando a Regra Básica da Vida
Dos Princípios: 5. A Primeira Forma de Servir,
A Oração (Dias 13-16)

O que há neste estudo? 
Nos Dias 13-20 dos Princípios, lemos as Três Formas de Servir da Ordem, oração, estudo e trabalho. Esta lição explora o primeiro serviço, a oração, que lemos nos dias 13-16. Oração é o nosso relacionamento com Deus. É uma experiência sentida, não algo que podemos intelectualizar. Portanto, o perigo é que falemos disso, mas não o fazemos.

Começando a explorar

1. O que ajuda a sustentar sua prática diária de oração? O que atrapalha sua prática? Como você resolve esses obstáculos?

2. Nossas vidas de oração individuais são formadas por uma variedade de influências ao longo do caminho. Descreva uma dessas influências e como isso afeta sua vida de oração pessoal atual.

3. Que práticas podem ajudá-lo a ter consciência da presença de Deus ao longo do dia, e mais conscientes de que Cristo habita nos outros e em você mesmo?

Da Regra Básica para Postulantes

5. O Primeiro Modo de Serviço: Oração: A oração é meu relacionamento com Deus. Isso me permite ficar diante de Deus tal como sou, nada mais e nada menos. Portanto, levarei pelo menos 20 minutos em oração diariamente, para ouvir, louvar, focar e ser inspirado. Isso exige que eu deixe de distrações, internas e externas. Praticarei a intimidade com Cristo participando da Sagrada Eucaristia pelo menos semanalmente e nos principais dias de feriado. Diariamente orarei por meus irmãos e irmãs na Terceira Ordem e pelas necessidades do mundo. (Dias 13-16)

Aprendendo com as Fontes Francisclarianas

Os irmãos pedem a Francisco que os ensine a rezar
Pediram-lhe, certo dia, os Irmãos que os ensinasse a orar. Ele respondeu-lhes (como Cristo aos Apóstolos), que dissessem Pai nosso.... E ainda lhes ensinou outra oração: “Nós vos adoramos, ó Cristo, em todas as igrejas do mundo inteiro, e vos bendizemos por terdes resgatado o mundo pela vossa santa cruz”. Ensinou-os ainda a louvar a Deus em todas e por todas as criaturas; a reverenciar os sacerdotes com especial deferência; a acreditar com uma fé sólida e a pregar com simplicidade as verdades da fé, tais como as conserva e ensina a Santa Igreja Romana. Em tudo os Irmãos seguiam os ensinamentos do santo Pai: em qualquer igreja ou cruze que pudessem descobrir ao longe, nunca deixavam de ir lá ajoelhar-se e rezar, utilizando a fórmula que lhes fora dada.  
— São Boaventura, A Legenda Maior, Cap. 4:3.

O Zelo de Francisco pela oração
Francisco sentia dolorosamente que o seu corpo, apesar de já insensível, por amor de Cristo, às paixões terrenas, o obrigava a ser peregrino do Senhor: esforçava-se então por conservar ao menos o espírito unido a Deus por meio duma oração constante, para não sentir-se privado das consolações daquele que tanto amava. A contemplação constituía para ele um prazer: sentia-se como sendo já um cidadão do céu, companheiro dos Anjos, a procurar ardentemente o seu amado, de quem o separava apenas a divisória da carne. E constituía, além disso, um arrimo para a ação: em todos os empreendimentos, punha toda a confiança na bondade de Deus e não nas próprias forças – a oração permitia-lhe descarregar no Senhor todas as preocupações. Afirmava ele com toda a convicção, que a graça que um Religioso deve pedir a Deus com mais empenho é a graça da oração: sem ela ninguém consegue progredir no serviço de Deus. Por isso, encorajava os Irmãos, por todos os meios ao seu alcance, a aplicarem-se a ela com todo o fervor. Quanto a ele, tanto em viagem como em repouso, quer dentro quer fora de casa, a trabalhar ou a descansar, estava sempre em oração. À oração dedicava toda a alma e todo o corpo, toda a atividade e todo o tempo.— São Boaventura, A Legenda Maior, Cap. 10:1.

A oração nos constitua
Feliz daquela a quem foi
dado gozar desta íntima união,
e que aderiu com todas as fibras do seu coração
Àquele cuja beleza
é contemplada por todos os santos
do exército celeste,
cujo amor nos encanta,
cuja contemplação nos vivifica,
cuja bondade e benignidade nos basta.
 A sua doçura satisfaz-nos plenamente
e a sua recordação ilumina-nos com suavidade.
O seu odor ressuscita os mortos,
e a sua visão beatífica
santifica os habitantes da Jerusalém celeste.
—Santa Clara, 4a Carta a Santa Inês de Praga (4CCL), 9-13

Uma Leitura de Os Princípios
Dia Quatorze – A Primeira Forma de Servir: A Oração
As terciárias e os terciários buscam viver em uma atmosfera de louvor e oração. Nós aspiramos estar sempre cônscios da presença de Deus, de maneira que possam verdadeiramente orar sem cessar. Sua crescente devoção ao Cristo onipresente é fonte de força e alegria. É o amor de Cristo que os inspira a servir e os fortifica para o sacrifício.

Explorando mais a fundo:
Aqui há um modelo útil de oração apresentado pelo padre episcopal David J. Gierlach: “Quando procuramos por Deus, nós estabelecemos as regras, nós determinamos as expectativas, nós estamos no controle, e imaginamos nossa própria salvação. Mas quando Deus procura por nós, todas as nossas regras e expectativas e controle voam pela janela, ... nós vemos o sofrimento do nosso [mundo quebrado], e percebemos que a salvação só pode ser alcançada se pegarmos a cruz e seguimos a Jesus.
Isso significa deixar de lado nossos próprios pensamentos e dar tudo o que nos espera para Deus ”.

Linha à solta, um poema
Tem essa garota
no alto de um muro
sozinha, só ela.
Ela se colocou lá.
Construção de muros feita por enquanto
lá ela senta toda embrulhada
em um sarape amado;
se escondendo. Na solidão
pronta para rezar.

(Se apenas essa gentinha lá em baixo
fossem embora. Molestam.)

Bulindo, ela encontra uma linha solta
e começa a pegar nela
arranhão picareta raspar,
não não solta, presa.
A linha se torna corda
torna-se uma bola até
o sarape desvendou,
ela senta nua
com um pouco de emaranhado
no topo do seu muro.

O muro. Tem a mais pequena trinca
talvez nem mesmo uma rachinha, mas um lugar ruim
áspero o suficiente para prender o final do fio?
Sim, seguro para segurá-la
descida
descendo o muro
até nu ela fica
linha à solta.
Fogo, grama verde, comunidade
bem-vindo a dançar
cinzas de oração subindo
chovendo, rodando
em nova vida.

Três movimentos de oração:

1. Penetrar é o movimento interior do amor desmantelando nossa armadura e muros, pouco a pouco, até que nossos egos sejam ultrapassados e nós sejamos transformados. Não há como esconder-se diante de Deus, tentativas de fazê-lo são delirantes. À medida que nos aproximamos de Deus (já conosco), o fazemos com persistência, cada vez mais honestamente, sempre mais aberto e pronto para ficar com o amor nu, vulnerável e livre, porque aprendemos que é seguro.

2.  Introduzir é o movimento exterior do amor, entrelaçando fios soltos e emaranhados em comunhão. Conecta tudo: Espírito, outros, criação. Se a penetração nos leva à união com o Santo, Enfiar nos harmoniza com as pessoas e a criação. A oração move o agente de “eu” para “nós”, de um fio solto para um todo padronizado. Cada fio essencial para a tecelagem; um fio faltando deixa um buraco em sua essência comunal.

3. Influenciar é o movimento de dança comunal. Se puxarmos uma ponta do fio, com a intenção de influenciar outra, descobrimos que todos são afetados, já que todos estão entrelaçados. A oração nos muda e o universo. Não vemos o efeito da oração porque nos concentramos em apenas um dos muitos resultados possíveis, aquele que desejamos. Mas o resultado não é nosso para citar. A garota no muro procura solidão, mas encontra comunidade. Se ela se sente inaudita, é porque leva tempo para abrir mão dos desejos e expectativas bloqueando a visão.


Desafios da oração: um P e R

P. Nossa Regra exige que oremos, daí nos encontramos procurando desesperadamente por uma maneira de orar. O que fazemos exatamente ao orar?
R. Nós relaxamos e nos abrimos. É tão simples e tão difícil. A boa notícia é que não precisamos saber orar. Precisamos apenas começar: “Oi Jesus, sou eu. Não tenho certeza sobre isso ou o que fazer, mas estou aqui, ouvindo.”

P. O Ofício Diário? Meditar? Rezar uma lista de intercessão?
R. Sim. Como membros da TSSF, espera-se que participemos de certos tipos de oração: alguma forma completa de oração que inclui intercessões pelo mundo, ações de graças, leitura devocional das Escrituras, auto-exame diário e o Pai Nosso (como sinal de compromisso à unidade cristã universal); algum tipo de meditação; a Obediência da Comunidade (veja Lição 3, mas basicamente a leitura diária dos Princípios e intercedendo por nossos irmãos e irmãs na Ordem); a Eucaristia (veja a Lição 12); e em um rito de Reconciliação (veja abaixo) conforme necessário.

P. Juntar-se à dança? Mas como dançar com uma entidade invisível chamada Deus?
R. Deus sempre escuta e responde, é da natureza de Deus fazê-lo. Deus não pode não responder. É uma questão de ouvirmos a melodia e seguirmos o exemplo, em vez de deixar que o ruído em nossas cabeças resista ou bloqueie. Prepare-se para rir quando Deus der um movimento inesperado!

P. Se a oração é escutar, por que oramos as incontáveis orações de palavras, escritas por outros e por nós mesmos?
R. Porque a oração não é um espaço vazio, nem é um vale-tudo para absorver o que vier em nosso caminho, tais como maus espíritos e nossos egos. Orações com palavras nos conectam com outros agora e através dos tempos (passado e futuro), eles nos guiam no caminho certo enquanto confortam nosso medo do silêncio, eles aram o solo de nossa fé, e eles puxam os fios que fazem a diferença. Eles são como orelhões ao longo do caminho.

P. Quando tento ouvir, não ouço nada. Como ouço um Deus silencioso?
R. Ouvir requer prática. Meditação (veja abaixo) fornece excelente treinamento. A prática requer: deixar o controle, abrir mão dos desejos e expectativas, deixar de julgar a nós mesmos, deixar ir e deixar que Deus nos ame e nos conduza.

P. Não adianta dizer que há muitas maneiras de orar. O que quer dizer “orar é viver” (Henri Nouwen)?
R. Fazer uma pausa ao longo do dia para levar a Jesus tudo o que estamos experimentando, incluindo nosso temor a Deus, nos ajuda a sair da nossa maneira de ver e fazer o caminho do Espírito. Ajuda-nos a organizar nossa vida em torno de Cristo até o momento em que percebemos que o Espírito realmente está conosco em todos os lugares, em todos os momentos. Então nos encontramos rezando sem cessar (1Ts. 5: 17).

P. O que é união com Deus além de aterrorizante, especialmente porque não conhecemos o caminho?
R. Estava essa garota
relaxada em um baixo muro
sozinha com seus pensamentos.
De repente, uma luz brilhante trouxe
terror.

"Alegra-te! O Senhor está contigo!
Agora confusão junto com o terror.
O que está acontecendo?

“Não tenha medo, Maria. Veja!"
 disse o anjo.

A menina Maria, jovem aterrorizada
tranquilizada, respondeu,
"Aqui estou eu, sua serva".

Escuta. Deus está chamando. Vem, peregrina, vem dançar comigo.

Prática da Oração Francisclariana

As vidas de oração de São Francisco e Santa Clara nos mostram que a oração inclui uma variedade de tipos e métodos. Mas a oração não pode ser limitada a estes; inclui todos os nossos pensamentos e ações quando eles são uma resposta ao nosso Criador. A oração pode ser um insight repentino, um momento “aha” no trabalho, um passeio no final da tarde, um encontro com a natureza. É tudo e mais quando vivemos propositalmente no Espírito. E, no entanto, a prática, como tema na escola, requer tempo intencional diário em oração.
A Igreja identificou tipos de oração que ajudam o cristão a manter um relacionamento contínuo e em desenvolvimento com Deus. Cada um é definido abaixo com um exemplo francisclariano. Tente trabalhar com alguns. Talvez um ou dois ajudem você a encontrar o seu modo particular de orar, talvez eles ofereçam a melodia que faz com que você dance com Deus.

Adoração é amor de Deus. É intimidade no Espírito, desfrutando do abraço amoroso de Cristo. Nossa Obediência Comunitária abre com a adoração falada por São Francisco sempre que entrava numa igreja:
“Aqui neste local e em todas tuas igrejas pelo mundo todo, nós adoramos a Ti, ó Cristo, e nos alegramos em Ti, porque pela tua santa cruz redimiste o mundo.”

Criar: escreva, cante, desenhe, dance sua própria oração de adoração.
Agir: Passe tempo na natureza ou com outros onde você experimenta alegria.

A oblação é entrega de si nos braços de Deus. O Objeto da TSSF é o presente ou oblação do eu a Cristo (ver Lição 7n). As palavras de Clara sobre a oblação: "Despreza tudo o que neste mundo de enganos e perturbações cega o coração dos homens e ama de todo o coração Aquele que se entregou por teu amor (3CCL,15). Rezem o Absorbeat com São Francisco:
“Que a força de teu amor, ó Senhor, doce e ardente, me arrebate longe de todas as coisas que há debaixo do céu, para que eu morra por amor de teu amor, como tu te dignaste morrer por amor de meu amor.”

Criar: escreva, cante, desenhe, dance sua própria oração de oblação.
Agir: Realize um ato anônimo de amor pelo amor de Jesus.

Louvor celebra Deus que nos ama apaixonadamente e nos abençoa abundantemente. Nós não podemos deixar de cantar louvores diante do amor e bondade de Cristo. É a nossa resposta natural. A essência da espiritualidade francisclariana é o louvor.

Louve a Deus com São Francisco: “meu Deus e meu tudo!”
e com seu Cântico das Criaturas:
Altíssimo, onipotente, bom Senhor, teus são o louvor,
a glória e a honra e toda a bênção.
Somente a ti, ó Altíssimo, eles convêm,
e pessoa alguma é digna de mencionar-te.
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão sol, o qual é dia, e por ele nos iluminas.
E ele é belo e radiante com grande esplendor, de ti,
Altíssimo, traz o significado.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas,
no céu as formaste claras e preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento,
e pelo ar e pelas nuvens e pelo sereno e por todo tempo,
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,
que é muito útil e humilde e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo,
pelo qual iluminas a noite e ele é belo e agradável e robusto e forte.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa,
a mãe terra que nos sustenta e governa
e produz diversos frutos com coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor, por aquela que perdoa pelo teu amor,
e suporta a enfermidade e tribulação.
Bem-aventuradas as pessoas que perseverarem em paz,
porque por ti, Altíssimo, serão coroadas.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a morte corporal,
da qual pessoa alguma pode escapar.
Ai de quem morre em pecado mortal:
Bem-aventuradas as pessoas que ela encontrar na tua santíssima vontade,
porque a morte segunda não lhes fará mal.
Louvem e bendigam ao meu Senhor, e rendam-lhe graças
e sirvam-no com grande humildade.

Criar: escreva, cante, desenhe, dance seus próprios elogios.
Agir: Dê flores ou outro objeto da natureza para alguém desanimado.

A intercessão coloca nossas necessidades e preocupações diante de Cristo; Ele puxa o fio de influência intencionalmente. A intercessão pede que o amor de Deus seja desencadeado "na terra como no céu". Jesus, nosso modelo, intercede por toda a raça humana. Pela Obediência da Comunidade, usamos o Diretório como uma lista de intercessão para orar pelos membros do TSSF pelo nome. Muitas formas criativas de interceder existem, você é limitado apenas pela sua imaginação.

Ore esta petição francisclariana na conclusão de suas intercessões:
Para todos aqueles que /pediram nossas orações, para todos aqueles que precisam delas; E para todos aqueles que, e onde quer que estejam, que não têm ninguém para orar por eles, conceda-lhes uma parte de nossas bênçãos e, por meio do amor de Deus, saibam que não são esquecidos.

Criar: escreva, cante, desenhe, dance uma “lista” de intercessão para usar regularmente.
Agir: Pratique orações de flechas (curtas e imediatas) durante o dia, quando necessário.

Ação de graças. São Paulo aconselha: "Para todas as coisas, agradeça". Rumi disse: “se a única oração que você faz é agradecer, é o suficiente”. As vidas de São Francisco e Santa Clara são epítomes de vidas vividas em ação de graças. Um coração grato é o segredo da alegria.

Reze do Testamento de Santa Clara:
Entre outros benefícios que temos recebido y estamos recebendo diariamente de nosso doador, Pai das misericórdias, e pelos quais devemos dar mais ações de graças ao mesmo glorioso Pai, está nossa vocação que, quanto mais perfeita e maior, mais á Ele a devemos. Donde o dito do Apóstolo: Conhece tua vocação"! (TestCl 1.)

Criar: escreva, cante, desenhe, dance ação de graças.
Agir: Expresse gratidão a alguém por algo aparentemente insignificante.

A penitência procura onde nós temos negado o amor, pede perdão e pretende nos virar, longe do "eu" em direção ao Caminho do amor. Os ritos de confissão admitem nossos pecados, o que eles custaram e buscam a reconciliação com aqueles que ferimos: nós mesmos, os outros, a criação e Jesus. A Ação de Graças é o complemento quando “a carga do pecado e dos erros passados é aliviada e a paz e a esperança é restaurada” (Os Princípios Dia 16).
Reze a litania da Ordem Terceira da Penitência:
Pela nossa insensibilidade às necessidades dos outros: Ó Senhor, perdoe.
Pelo preconceito e medo que atrapalham o amor em nossos corações: Ó Senhor, perdoe.
Por nossa estreiteza de visão e nosso encolhimento de suas demandas sobre nós:
Ó Senhor, perdoa.
Pelo nosso fracasso em aceitar mudanças e riscos: Ó Senhor, perdoe.
Pelo nosso desejo de fazer o seu trabalho à nossa maneira: Ó Senhor, perdoe.
Por nossa falta de respeito por aqueles que diferem de nós: Ó Senhor, perdoe.
Para o nosso apego ao passado e medo do futuro: Ó Senhor perdoa.
Pela nossa relutância em abraçar a pobreza nos relacionamentos e com nossas posses:
Ó Senhor, perdoa.
Para o nosso olhar para este mundo por segurança: Ó Senhor perdoa.

Criar: escreva, cante, desenhe, dance um auto-exame de quando você estava mais consciente do amor de Cristo hoje e quando estava menos consciente do amor de Cristo; quando você agiu por amor hoje e quando você não agiu por amor; e de quando você perdeu oportunidades de ação de graças.
Agir: Peça perdão a alguém que você feriu e agradeça a gentileza que ele / ela realizou.

A meditação é muitas vezes considerada a oração do lado da escuta ou estar quieta no Espírito. Tem cinco fundamentos: é uma prática diária, é intencional, é atenta, requer liberação de controle e está livre de auto-julgamento. Os tipos de meditação são usados na lição 5 (método de contemplação de Clara) e na lição 10 (visualização). Aqui está a descrição da meditação de Clara:
Fixa o teu olhar no espelho da eternidade!
Deixa a tua alma banhar-se no esplendor da glória!
Une o teu coração Àquele que é encarnação da essência divina!
E para que, contemplando-O, te transformes inteiramente na imagem da sua divindade.  (3CCL 12-13)
Os elementos básicos da meditação incluem:
- Fique confortável em seu corpo, alinhada(o), relaxada(o) e aterrada(o).
- Assista a sua respiração; é sua âncora para começar, voltar e fechar.
- Use seus sentidos como ajuda para permanecer no momento presente.
- Simplesmente observe com humildade.
- Fechar com ação de graças.

Criar: São Francisco usou mantras como “meu Deus e meu tudo” ou “a paz esteja com você”. Escreva, cante, desenhe ou dance uma frase / imagem para usar como uma palavra de oração centralizada.
Agir: Quando desafiada(o) durante o dia, pare um momento para fazer o sinal da cruz: da testa para o coração, dizendo "Cristo está aqui", e de ombro a ombro dizendo: "Eu estou aqui". Cristo está aqui e Eu estou aqui: esse é o coração da meditação francisclariana.

Colóquio é uma conversa íntima com Deus como se você estivesse falando com um amigo ou mentor. Uma vez que são íntimos, exemplos de tais trocas são raros, exceto o da ardente Santa Teresa de Ávila, que se envolveu em constante conversa com Deus. Quando ela caiu em um riacho depois de um dia duro, ela gritou: "Depois de tudo, agora isso!" Deus, sua companheira constante, respondeu com um humor desarmante: "É assim que trato meus amigos."Então não é maravilha que tenhas tão poucos! ”, gritou a furiosa Teresa (James Martin, Entre o Céu e a Alegria: Por que a alegria, o humor e o riso estão no coração da vida espiritual, 2011, p. 98).

Criar: escreva, cante, desenhe, dance uma conversa com Jesus.
Agir: Envolva-se em uma conversa com alguém que você acha difícil, o tempo todo imagine que ele ou ela seja Jesus.

Para Reflexão:

1.Qual dos tipos clássicos de oração é mais fácil ou mais natural para você? Qual é o maior desafio? Descreva sua experiência com o exercício de Criar / Agir com um dos tipos de oração acima.
2.Como eu carrego a comunidade no meu relacionamento com Cristo?
Como minha oração e devoção afetam a igreja e o mundo?
Personalize sua Regra
Depois de lutar com esta lição, que mudanças ou acréscimos você pode fazer para o ponto número 5. A Primeira Forma de Servir, A Oração, da Regra Básica da Vida (veja a página 2 acima; ou para 3. Oração Pessoal se você está vivendo pela regra tradicional de 9 pontos) para torná-la mais adequada às suas circunstâncias particulares? O que você precisa fazer para nutrir sua vida de oração? Discuta com seu companheiro espiritual.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

Notas de Formação - Lição 10

Notas de Formação
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco de Assis (TSSF)
Região do Brasil - TSSF Brasil

A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário.

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 10
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.


Lição 10: Personalizando a Regra Básica da Vida
Dos Princípios: 4. O Terceiro Objetivo, viver simplesmente 
(Dias 10-12)

O que há neste estudo?
           
Nós exploramos o terceiro dos objetivos da Ordem, para vivermos simplesmente, o que lemos nos Dias 10, 11 e 12 nos Princípios. Nossos fundadores São Francisco e Santa Clara deram tudo o que tinham para a vida do Evangelho sem contar o custo. Seu único desejo era responder de todo o coração ao amor de Deus e o resultado era viver simplesmente.

Começando a explorar 
1. Que pessoa contemporânea vem à mente quando você pensa em viver simplesmente. Por quê?
2. Como se apresenta a complexidade em sua vida? Como você pode começar a simplificar?
3. Quais para você são sinais de que você aceita em espírito o desafio de Jesus de vender tudo, dar aos pobres e segui-lo? 

Da Regra Básica para Postulantes

4. O Terceiro Objetivo: viver simplesmente: Como Francisco e Clara, procurarei me contentar em qualquer e toda situação, esteja satisfeito ou com fome, seja em abundância ou em carestia. Eu viverei dentro da minha renda, lembrando que não é importante ter muitas coisas. Cultivarei um hábito de partilha e generosidade, especialmente para apoiar a comunidade francisclariana, a minha igreja local e aliviar o sofrimento e as dificuldades dos outros. Procurarei viver uma vida simples, respeitar o meio ambiente, manter a sustentabilidade e a alegria; e também reconhecer aqueles momentos em que "o que é" não pode ser alterado e simplesmente aceitar minhas limitações. (Dias 10-12)

Aprendendo com as Fontes Francisclarianas

Francisco ouve a forma de vida evangélica e procura imediatamente cumpri-la
Pois, ao assistir, devoto, num certo dia, a Missa dos Apóstolos, a leitura do Evangelho era uma passagem em que Cristo dá aos discípulos, a serem enviados a pregar, a forma  evangélica de viver, a saber, que não possuem ouro ou prata, nem dinheiro no cinto, nem alforje na estrada, nem duas túnicas, não usem calçado nem bastão. Ouvindo, compreendendo e gravando na memória as palavras, o amigo da pobreza apostólica logo se encheu de uma alegria indescritível. "É isto”, disse, “que desejo, é isto que aspiro, com todas as fibras do coração!" Desatou, a seguir, os sapatos dos pés, depõe o bastão, abomina bolsa e dinheiro e, satisfeito com uma única túnica, rejeita o cinto e toma uma corda por cíngulo, pondo todo o cuidado do coração em como pôr em prática, o que ouviu, em unir-se em tudo á Regra da retidão.
São Boaventura, A Legenda Maior, 3: 1.

Santa Clara exorta suas irmãs, presentes e futuras, à santa simplicidade
Admoesto e exorto no Senhor Jesus Cristo, todas as minhas Irmãs, que estão e que vierem, para que sempre se empenhem em imitar o caminho da santa simplicidade, humildade e pobreza e também da honestidade da santa conversação, assim como no início de nossa conversão fomos ensinadas por Cristo e pelo nosso beatíssimo pai Francisco.
É dessas coisas — não por nossos méritos — mas só pela misericórdia e graça do doador, que o próprio Pai das misericórdias, espalhou o odor da boa fama, tanto para os de perto como para os de longe. E, amando-vos umas às outras, a partir de caridade de Cristo, o amor que tendes dentro demonstrai-o por meio de obras, para que assim, provocadas por esse exemplo, as Irmãs cresçam sempre no amor de Deus e em mutua caridade.                                                                                                      
—O Testamento de Santa Clara, 17

Um estudante e uma andorinha
Na cidade de Parma, um estudante, de boa índole, querendo estudar, com diligência, junto com outros companheiros, viu-se infestado, pelo alarido importuno de uma andorinha; começou, então, a dizer aos companheiros: “Esta andorinha é uma daquelas que molestavam o homem de Deus, Francisco, quando certa vez, pregava, até que lhes impôs silêncio.” E, virando-se para a andorinha falou com confiança: “Em nome do servo de Deus, Francisco, ordeno-te que, vindo a mim, fique calada imediatamente.” E ela, ouvindo o nome de Francisco, como que instruída pela disciplina do homen de Deus, não só logo se calou, como entregou-se-lhe às mãos, como se fossem uma segura proteção. Espantado, o estudante, logo, restituiu-a liberdade e já não lhe escutou os gritos.
                                                                                  São Boaventura, A Legenda Maior, 12: 5
Uma Leitura de Os Princípios


Dia Dez – O Terceiro Propósito Viver em simplicidade
Os primeiros cristãos entregaram-se completamente a Nosso Senhor e resolutamente deram tudo o que tinham oferecendo ao mundo uma visão nova de uma sociedade na qual existe uma atitude despojada com respeito às posses materiais. Esta visão foi renovada por São Francisco quando escolheu à Senhora Pobreza como sua noiva, desejando que todas as barreiras erguidas pelos privilégios baseados na riqueza fossem derrubadas pelo amor. Esta é a fonte de inspiração para o terceiro propósito da Ordem: viver em simplicidade.

Explorando mais a fundo:

O Terceiro Objetivo
Simplicidade é definida como um estado de ser, sem complicações e sem pretensão. Seu oposto é a complexidade. Um e o mesmo objeto pode ser visto de qualquer maneira, embora não simultaneamente, pois não está no objeto visto, mas no espectador. Considere esta passagem do discurso de 1846 do filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, “Pureza de coração é querer uma coisa.”

Quando uma mulher faz um pano de altar, tanto quanto ela é capaz, ela torna cada flor tão linda quanto as flores graciosas do campo, até onde ela é capaz, cada estrela tão brilhante como as estrelas brilhantes da noite. Ela não retém nada, mas usa as coisas mais preciosas que possui. Ela vende todas as outras alegações sobre sua vida que ela pode comprar o momento mais ininterrupto e favorável do dia e da noite para ela uma só, por seu trabalho amado. Mas quando o pano é acabado e colocado em seu uso sagrado: então ela fica profundamente angustiada se alguém cometer o erro de olhar para sua arte, em vez do significado do tecido.

Foi assim que São Francisco e Santa Clara foram assimilados do fundo de seus pés ao topo de suas cabeças. Eles ordenaram suas mentes e corações focalizando o Evangelho. Eles desejavam em primeiro lugar o Amor de Deus, e nessa vida simples todas as suas necessidades foram satisfeitas. Viver simplesmente é um valor franciscano fundamental porque nos chama a nos concentrar no que é importante, que tudo o que fazemos é feito pelo Amor de Deus. É a única coisa necessária.
           
A simplicidade é uma postura de mãos abertas: mãos abertas prontas para liberar o que preferirmos agarrar, mãos abertas prontas para receber o presente que nos espera; mãos abertas prontas para soltar os gritos da mente, mãos abertas prontas para receber o sussurro do coração. Não importa quantas as posses que temos; importa se estamos possuídos pelo que temos ou não temos. O foco é cultivar a disposição do que o teólogo quacre Richard J. Foster chama de "uma vida de alegre despreocupação por posses". Tal disposição levará a ações e comportamentos de viver simplesmente. Francisco não se propôs a simplificar sua vida, ele começou a amar a Deus de todo o coração. O resultado foi simplicidade.

Viver simplesmente é resultado de nossa compreensão cada vez mais profunda de nossa dependência final de Deus e uns dos outros. A simplicidade ,,,
    Liberta a ilusão do "eu" e recebe o dom do "nós".
    Celebra a beleza, a santidade e a bondade de toda a criação.
    Praticar "menos é mais".
    Não tem nada a provar e nada para proteger.
    Tem espaço amplo o suficiente para abraçar todas as partes do seu ser.
    Reconhece que tudo, tudo é um presente de Deus.
    Nos torna instrumentos de paz.
    Recebe o Cristo com liberdade para amar e servir como Cristo nos amou e serviu.

 Como passamos do querer nos esforçar e focalizar no Amor de Deus, enquanto ao mesmo tempo, vivemos plenamente no mercado? Eu-primeiro! Jeito-meu! e Eu-quero! são mestres poderosos e inteligentes. Nós não podemos superá-los sem a ajuda de Deus. Então, nós começamos lá, nós admitimos nosso desamparo e nos engajamos em práticas que criam espaço para o Espírito trabalhar em nós. Tais práticas podem ser tão únicas quanto cada um de nós, mas o propósito é compartilhado, para passar da ambição para a conscientização. Uma técnica honrada pelo tempo é a meditação.

Meditações para acalmar a mente e ouvir o coração
A meditação nos ajuda a deixar de lado a ambição cultivando a autoconsciência. Ajuda-nos a libertar o mundo e a receber amor. Ajuda-nos a fazer amizade com a mente que grita, a parar de tagarelar para que possamos ouvir os sussurros do nosso coração. Oferecemos o método contemplativo de Santa Clara na lição 5 e os métodos de auto-entrega nas lições 7n e 8. Pode valer a pena visitá-los novamente. Ou tente:

Uma meditação de mãos abertas:
Você pode praticar essa meditação simples de 5 a 30 minutos.

Fique confortável em seu corpo, sente-se erguido, mas relaxadas, sinta a firmeza de seus pés tocando o chão e suas nádegas em sua almofada ou cadeira. Observe sua respiração. É rápido e superficial? lento e profundo? Não tente controlá-la, apenas note. Feche os olhos enquanto continua a observar a respiração. Resumidamente, verifique o seu corpo quanto a lugares tensos, como ombros ou pescoço. Deixe de lado qualquer tensão que encontrar.

O jesuíta indiano Anthony de Mello (1931-1987) disse uma vez que a meditação é mais parecida com a observação de pássaros do que com o treinamento de cães. Na meditação, nos interessamos e nos deleitamos em observar nossas mentes; nós não julgamos, treinamos ou tentamos treiná-los.

Ouça os sons ao seu redor. Não os nomeie, simplesmente ouça. Agora abra suas mãos e deixe-as descansar em uma posição relaxada e aberta. Observe quando você abre as mãos a liberação sutil de sua mente. Nossos corpos e mentes são um só! Se abrirmos em um lugar, vamos abrir em outro. Passe algum tempo assistindo: sua respiração, seus pensamentos se agitando, aqui em todo lugar. Volte a verificar os pontos tensos, solte-os.

Retorne seu foco para suas mãos. Imagine um pássaro pousar em uma de suas mãos. Assista. Que tamanho é ele? Cabe na sua mão? Qual é a sua cor? Brilhante? Monótona? Qual a sensação de suas garras contra a sua pele? O pássaro está relaxado ou está batendo ou bicando? Como você se sente ao ter um pássaro na mão? Não há maneiras certas ou erradas de sentir; nós estamos simplesmente percebendo. Você quer segurar ou acariciar o pássaro? Mas é selvagem e livre, sua presença é puro presente. Observe quando ele voa para longe. Como a partida faz você se sentir? Está pairando nas proximidades ou voando fora da vista? Talvez haja outros pássaros por perto. Observe sua mão, agora vazia. Lembra a sensação do pássaro? Quer segurar mais ou é feliz em descansar a mão aberta e vazia?

Sente-se em silêncio por um tempo, observando, ouvindo. Você pode querer verificar as suas mãos de tempos em tempos. Talvez você descubra que está segurando algo. Deixe ir. Talvez o pássaro tenha voltado, desta vez com um presente. O que é isso? Que sentimentos surgem ao recebê-lo? Não importa se você gosta ou não, é um presente. Agradeça ao pássaro pelo presente e deixe-o ir. Quando estiver pronto, volte ao seu hálito, observe três respirações completas, dê graças pela oportunidade de observar a ave e a mente e abra os olhos.

Praticando essa meditação simples, você pode aprender a autoconsciência necessária para se segurar quando estiver se apegando ou desejando a qualquer momento durante o dia. Quando você se apegar, respire fundo e literalmente abra as mãos para deixá-lo (seja o que for: uma coisa, uma ideia, uma necessidade de estar certo) ir sem julgamento.

Ação ministerial: A Oração de Paz de São Francisco
Nota: O texto atual da Oração de Paz atribuída a São Francisco é originário de uma pequena revista religiosa chamada La Clochette, publicada na França em 1912. A oração foi publicada anonimamente, mas muitos acreditam que o fundador da revista, padre Esther Bouquerel, seja o autor. Se São Francisco não escreveu a oração não diminui seu valor para nós que desejamos viver uma vida de simplicidade e paz.

E se, em vez de cantar ou orar a oração de paz, você desejasse realmente se tornar um instrumento da paz de Deus? E esse desejo é tão forte que você se propõe a fazer a oração, pouco a pouco, dia após dia? Como isso pode parecer? Vamos tentar...

Cada dia rezar: Senhor, faze de mim um instrumento de tua paz.
Toca-me Senhor, toca-me como se eu fosse instrumento musical, faz de mim instrumento para a canção do céu aqui na terra.
Então, todos os dias da semana, concentre-se em uma área:
Segunda-feira: Quando encontro ódio, como posso semear amor hoje?
Terça-feira: Quando encontro ferimentos, como posso semear hoje o perdão?
Quarta-feira: Quando encontro dúvidas, como posso semear a fé hoje?
Quinta-feira: Quando encontro desespero, como posso semear a esperança hoje?
Sexta-feira: Quando encontro a escuridão, como posso semear a luz hoje?
bado: Quando encontro tristeza, como posso semear alegria hoje?

Domingo: Agradeça pelas vezes que Deus faz de você um instrumento de paz, conhecido e desconhecido por você.

Quando estiver pronto, dê um tema para cada semana também:
Semana 1: Ó Mestre Divino, Conceda que eu não busque tanto essa semana
ser consolado quanto consolar.
Semana 2: Ó Mestre Divino, Conceda que eu não busque tanto essa semana
ser entendido quanto entender;
Semana 3: Ó Mestre Divino, Conceda que não busque tanto esta semana
ser amado quanto amar.
Semana 4: Senhor, obrigado por me ajudar a dar, como fui doado;
obrigado por me ajudar a perdoar, pois fui perdoado;
obrigado por me ajudar a morrer por amor a você, que amou e morreu por mim.

Para Reflexão:
1.De que ou de quem depende sua felicidade? O que você tem que faria com que você se sentisse aniquilado se fosse perdido ou quebrado?
2.A que auto-imagem você precisa se render? Como o espírito de simplicidade lhe liberta?
3. De que maneiras você notou que Deus lhe usou como um instrumento de paz?

Personalize sua Regra       
Depois de lutar com esta lição, que mudanças ou acréscimos você pode fazer para o ponto número 4? O Terceiro Objetivo, para viver simplesmente, da Regra Básica da Vida (ou para 7. Simplicidade se você está vivendo pela regra tradicional de 9 pontos) para torná-la mais adequada às suas circunstâncias particulares? O que você precisa fazer para viver de maneira mais simples? Discuta com seu companheiro espiritual.



quinta-feira, 12 de abril de 2018

Notas de Formação - Lição 09



Notas de Formação
Terceira Ordem da Sociedade de São Francisco de Assis (TSSF)
Região do Brasil - TSSF Brasil

A série Notas de Formação destina-se aos formandos da TSSF para estimular a conversação e a reflexão entre os companheiros de formação, seja em grupo ou individualmente com um companheiro espiritual ou sacerdote. Para obter o máximo dessas Notas, mês-a-mês, aconselhamos anotar suas reflexões pessoais em um diário.

Nesta postagem no blog Claras e Franciscos segue a Lição 09
Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Lição 09: Personalizando a Regra Básica da Vida
Dos Princípios: 3. O Segundo Objetivo, espalhar o espírito de amor e harmonia (Dias 7-9)

O que há neste estudo? 
Nós exploramos o segundo dos objetivos da Ordem, espalhar o espírito de amor e harmonia, que lemos nos dias 7, 8 e 9 nos Princípios. São Francisco no mundo, e Santa Clara no claustro, responderam ao amor de Deus ao amar o mundo. Eles seguiram o segundo maior mandamento, amar seus vizinhos como eles mesmos. Como o seu exemplo nos ensina a ser amantes e pacificadores neste mundo quebrado?

Começando a explorar

1. Como você abre seu coração e mente para uma nova maneira de pensar? Explique uma prática específica que possa ser útil para abrir os olhos.

2. Quando você ouve a palavra "castidade," o que vem à mente? Existe mais que uma maneira de entender o termo?

3. Leia Mateus 25: 35-36 que nomeia 6 das 7 obras de misericórdia corporais (a 7a é encontrada em Tobias 1: 17-19). Qual das obras é mais atraente para você praticar? Qual é uma luta?
Da Regra Básica para Postulantes

O Segundo Objetivo: espalhar o espírito de amor e harmonia: A vida evangélica exige que eu ouça e seja aberto a repensar minhas posições, abraçar a mudança, e procurar perdão onde eu fiz mal. Portanto, receberei a ação do Espírito Santo que me inspira a ser gentil, estar atento ao meu privilégio e egoísmo e opor-me à injustiça. Eu procurarei maneiras de praticar a inclusão, especialmente com os mais marginalizados. (Dias 7 a 9)

Aprendendo com as Fontes Francisclarianas

Como a Francisco lhe foi recusada a misericórdia
Chegando a um mosteiro, passou muitos dias na cozinha como servente, vestido apenas com uma túnica vil, contentando-se com um pouco de caldo. Mas ninguém teve pena dele e não conseguiu sequer alguma roupa velha. Por isso, levado, não pela raiva, mas pela necessidade, saiu dali e foi para a cidade de Gúbio, onde conseguiu uma túnica com um de seus antigos amigos. Pouco tempo depois, quando a fama do homem de Deus cresceu e o seu nome se espalhou no meio do povo, o prior daquele mosteiro, lembrando-se do que fora feito para Francisco e se arrependendo, procurou-o e pediu-lhe perdão por amor de Deus em seu nome e no dos monges. 
—1 Celano 7.16

Os irmãos cuidem uns aos outros
Os irmãos, em toda a parte e quando se encontram, mostrem-se familiares uns aos outros. E, confiantes, manifestem um ao outro sua necessidade. Pois, se a mãe nutre e ama o seu filho carnal, com quanto maior diligência não deve cada um amar e nutrir seu Irmão espiritual? E, se um Irmão cair enfermo, os outros Irmãos devem servi-lo como quereriam ser servidos. --Regra Bulada, Capítulo VI.8-10

Clara sobre os cuidados das irmãs doentes
Ofereça-se o maior cuidado e diligência às enfermas. As doentes devem ser atendidas gentil e solicitamente em um espírito de caridade, de acordo com o que é possível e apropriado, tanto nos alimentos que a sua doença exige como também em outras coisas necessárias. Aquelas que estão doentes devem ter seu próprio lugar, se isso é possível, onde elas podem permanecer separados das saudáveis, para que seu bem-estar e silêncio não sejam perturbados ou dissipados. Aquelas que não estão sobrecarregadas com uma doença muito séria podem deitar-se em paletes de palha e ter um travesseiro de penas. Mas aquelas que estão graves podem deitar-se sobre colchões, se eles podem ser convenientemente encontrados. Mas todos os doentes podem ter chinelos de lã solados se for possível. Esses elas podem guardar e usar, quando for necessário.
—Citado em Cardeal Hugolino, Forma e maneira de vida de Santa Clara (1219).

Uma Leitura de Os Princípios

Dia Oito – O Segundo Propósito (continuação)
Os terciários e as terciárias lutam contra a injustiça, em nome de Cristo, para quem não poderá haver grego nem judeu, escravo nem livre, homem nem mulher; pois nele todos são um. Seu principal propósito é refletir aquela aceitação a todos que foi característica de Jesus. Isto pode ser conseguido através de um espírito de castidade que vê a todos os outros pertencendo ao mesmo Deus e não como meio de realização pessoal.

Explorando mais a fundo:
O Segundo Objetivo
Os Franciscanos da Terceira Ordem na Comunhão Anglicana têm três objetivos derivados dos exemplos de São Francisco e Santa Clara. Na lição 8, consideramos o primeiro objetivo, que nosso Senhor seja conhecido e amado em todos os lugares. Aqui, exploramos o segundo objetivo de espalhar o espírito de amor e harmonia.
O segundo objetivo flui naturalmente do primeiro. Uma vez que percebemos o amor, o amor de Deus e do próximo, não nos encerramos em nós mesmos, como se a única maneira de apreciar o amor fosse guardá-lo. Não, conservar o amor, como se fosse de suprimento limitado, faz com que ele diminua e nós o perdemos. O mistério do amor é que quanto mais é compartilhado e distribuído, mais se expande, dando-nos um suprimento ilimitado. Como terciários, somos chamados a esticar além de nós mesmos, além da nossa vida pessoal para a vida maior de Cristo. O amor, em todas as suas manifestações, é o alcance final além de nós mesmos. O padre anglicano Spencer Reece expressa a verdade do amor quando diz: "Tudo o que sei é que quanto mais ele me amou, mais eu amei o mundo".
O amor de Deus, o amor de si, o amor da família e dos amigos, o amor à comunidade, abre nossos corações para espalhar o amor cada vez mais e mais a fundo. O amor é muito mais do que a noção de amor romântico ou familiar que se concentra no amado para a exclusão dos outros. Não, o amor exige ser mais. Ele exige ser expresso além do objeto imediato do nosso amor, ele está sempre esticando, nos chamando para fora de nossas zonas de conforto para espalhar sua energia aqui e ali e em todos os lugares. E o que é essa energia? Deus. Pense no semeador que espalha a semente generosamente, aleatoriamente, radicalmente. E cresce, mas não sabemos como. Não é nada menos que o milagre de Deus-em-nós, ansiando ser libertado no mundo, expandindo assim o reinado de Deus. Essa é a vontade de Deus: o amor espalhado infinitamente.
Amar é agir para o bem de outro. Significa olhar nossa própria dor para que possamos aliviar a dor infligida nas vítimas de preconceitos sociais, desigualdades econômicas e discriminação legal. Significa reconhecer, primeiro, a nossa parte em tais sistemas sociais. Significa trabalhar para que "fique plano o caminho acidentado e reto, o tortuoso (Is 40,4-5) para que os pobres, os marginalizados e os estranhos entre nós sejam recebidos com corações abertos. Temos um imperativo bíblico para invocar a injustiça onde quer que a vejamos - nos nossos governos, nas nossas igrejas, nas nossas comunidades e nos nossos locais de trabalho - e trabalhar para corrigir estas injustiças. O profeta Miquéias lembra-nos que "já te foi indicado, ó homem, o que é bom, o que o SENHOR exige de ti. É só praticar o direito, amar a misericórdia e caminhar humildemente com teu Deus" (Mq 6.8)
Mas o que é justiça? No reino de Deus, a justiça difunde amor e harmonia, busca a reconciliação. É onde são humilhados os que tem planos orgulhosos no coração, derrubados os poderosos de seus tronos e exaltados os humildes, enchidos de bens os famintos, e mandados embora os ricos de mãos vazias (Lucas 1,51-53). A justiça pratica as obras de misericórdia (veja abaixo). Como franciscanos, devemos falar pelos que não têm voz, mas não só para os pobres, o estranho e o estrangeiro; mas também para toda a ordem criada. Nossos irmãos e irmãs - os animais, as plantas e os peixes - dependem de nós para pôr fim à destruição e o desperdício atuais de suas casas. Essas criaturas pertencem tanto à nossa família como os sem-teto, os refugiados e os marginalizados.

Sobre a castidade
Os Princípios nos dizem que nosso amor pelos outros e nosso trabalho em seu favor devem basear-se em um espírito de castidade "que vê os outros como pertencentes a Deus e não como um meio de auto-realização." A castidade não tem a ver com o sexo, mas com respeitar fronteiras físicas, emocionais, intelectuais e espirituais.
Os limites pessoais são um elemento-chave da identidade. Os limites físicos respeitam o espaço pessoal e formas apropriadas de tocar. Os emocionais estabelecem limites aos sentimentos e à sua expressão adequada. Os limites intelectuais nos ajudam a avaliar novas informações e sua apropriação. Os limites espirituais respeitam a integridade e a privacidade do relacionamento de outro com Deus.
A falta de reconhecimento desses limites viola a castidade. Ver os outros como objetos para uso ou benefício viola a castidade. Prejudicar os outros por qualquer motivo (raça, gênero, orientação sexual, por exemplo) viola a castidade. Qualquer forma de desumanização ou opressão, ou de apoio a isso, viola a castidade. O jesuíta Greg Boyle fala assim: "Quando buscamos ‘salvar’ e ‘contribuir’ e ‘devolver’ e ‘resgatar’ pessoas e até ‘fazer a diferença,’ então tudo é você ... e o mundo permanece preso .... Não se proponha mudar o mundo. Proponha perguntar como as pessoas estão" (Barking to the Choir, p. 174). A castidade nos chama a ser de coração aberto, arriscar e exercer integridade total em todos os nossos relacionamentos. Quando abraçamos o espírito de castidade, permitimos que Deus nos ame e espalhe esse amor aos outros.

Ação ministerial: as obras de misericórdia corporais 
Nota: quando foi perguntada sobre como viver o evangelho, Dorothy Day respondeu: "Fique perto dos pobres." Ela não disse "resgatar" ou "salvar" ou "ajudar" os pobres. São Francisco e Santa Clara viveram pobreza. As seguintes sugestões são para promover relacionamentos mútuos com os pobres, para nos ajudar a ser proximais, a ouvir e a abrir nossos corações.

Alimentar os famintos
A fome está em toda parte. Pessoas de todo o mundo, perto e longe, estão sem comida. Considere como a boa administração de seus próprios hábitos alimentares pode beneficiar outras pessoas com fome. Evite o desperdício e compartilhe o que tem. Convide alguém com fome a sua mesa.
Dar de beber ao sedento
Nossos irmãos e irmãs em todo o mundo não tem acesso a água limpa. Demande agua limpa, especialmente a restauração de águas poluídas, a construção de poços e bons sistemas de agua.
Cuide a Sor Água. Limite o elimine o uso de produtos que a prejudiquem e reduza o uso de material que polui. Tente não desperdiçar água. Limite o banho, desligue a torneira ao escovar os dentes ou lavar louça, plante plantas nativas no seu jardim que precisem da água que a natureza fornece na sua região.
Abrigar os sem-teto
Há muitas circunstâncias que podem levar alguém a tornar-se uma pessoa sem casa. Saia e conheça os desabrigados em sua área, caminhe solidariamente com eles e afirme o seu valor.
Apoie instituições sociais que contribuam à falta de moradia. Procure maneiras de fornecer abrigo para os sem-abrigo localmente, regionalmente, nacionalmente ou internacionalmente.

Visitar os doentes
Os doentes são muitas vezes esquecidos ou evitados, agravando sua doença com a solidão. Tire um tempo para visitar os enfermos, especialmente os idosos.
Doe sangue, se possível.
Ofereça descanso aos cuidadores de membros de família cronicamente doentes. Dê-lhes tempo livre de suas responsabilidades de cuidar para que possam descansar, completar tarefas pessoais ou aproveitar uma pausa relaxante.
Leve uma refeição para uma família que tenha um doente amado em casa.

Visitar os prisioneiros
As pessoas encarceradas ainda são pessoas, feitas à imagem e semelhança de Deus, que merecem companheirismo.
Faça parte de um ministério de prisão que visite e ofereça amizade aos  prisioneiros ou a suas famílias.

Enterrar os mortos
Os funerais nos dão a oportunidade de compartilhar o luto de outros durante tempos difíceis. Planeje seu próprio funeral, cite leituras, música e orações que você deseja usar, e dê uma cópia para um ente querido que vá sobreviver e possa depois se relacionar com você.
Envie um cartão ou leve uma refeição a alguém que recentemente perdeu um ser querido.
Ore por aqueles que morreram sem nome e por aqueles que não têm quem chore pela morte deles.

Dar esmolas aos pobres
Doe tempo e/ou dinheiro para organizações que oferecem suporte e serviços para os carentes. Procure organizações que colocam as pessoas com necessidades em primeiro lugar, em vez de lucro ou despesas gerais.
Imite os Mormons. Jejue um domingo por mês e doe o dinheiro salvo para uma instituição de caridade.
Leve vales de comida ou roupas no seu bolso para dar aos pobres que você encontra na rua.

Para Reflexão: 
1.Pense em um momento em que você mudou de idéia sobre algo ou alguém. O que causou a mudança?
2.Tendo estudado esta lição, como suas opiniões sobre a castidade mudaram? Nas suas próprias palavras, como você poderia defini-la agora?
3.Escolha uma obra de misericórdia que seja nova para você e participe de sua prática. Descreva como a experiência lhe mudou.

Personalize sua Regra
Depois de lidar com esta lição, quais mudanças ou adições você pode fazer para 3. O Segundo Objetivo, espalhar o espírito de amor e harmonia, da Regra Básica da Vida (ou 2. Penitência se você estiver vivendo pela regra tradicional de 9 pontos) para torná-lo mais adequado às suas circunstâncias particulares? O que você precisa fazer para espalhar o espírito de amor e harmonia? Discuta com seu companheiro espiritual.